 |
Colégio Estadual Santos Dummont |
[Continuação] No cruzamento da General Cordeiro de Farias com a Rua Engenheiro Emílio Baumgart já é possível avistar os fundos de dois prédios tradicionalíssimos em Marechal Hermes: os colégios estaduais Santos Dummont e Evangelina Duarte Batista. Eles ficam de frente para a praça circular 15 de Novembro e se assemelham em estilo e função original às escolas Júlio de Castilhos e Manoel Cícero, no Baixo Gávea. Inclusive aquele pedaço da Gávea também foi resultado de um projeto de vila proletária no governo de Hermes da Fonseca.
A entrada do Colégio Estadual Santos Dummont e um breve panorama da Praça Quinze de Novembro, ao lado.
A Praça 15 de Novembro é bem grande, plana e sem obstáculos. Como assim sem obstáculos? É, sem nada. Não tem jardim nem chafariz, não tem brinquedos nem coreto. No entanto, a organização da praça é vista através do piso, dos fradinhos e do contorno em gramado que protege a rua em relação ao núcleo da praça. Sem muitos atrativos, ela acaba sendo uma área de passagem para pedestres e ciclistas.
Veja como a Praça Quinze de Novembro é um verdadeiro território vazio. Mesmo assim, percebe-se que ela não é uma praça qualquer; ela tem todo um desenho, que pode ser identificado pela variação das cores e tipos de pisos e pelo gramado.
 |
Comércio de bairro e
papo de portão |
Mais adiante, a General Osvaldo Cordeiro de Farias continua existindo com menor movimento e quase nenhum comércio. Se no primeiro trecho, entre as praças Montese e Quinze de Novembro, o comércio já era de apelo regional, nesta outra parte ele fica ainda mais caseiro. As pessoas que circulam parecem conhecer umas às outras — do nada interrompem a caminhada para cumprimentar alguém que esteja passando. E a conversa rende...
No segundo trecho da Avenida General Cordeiro de Farias, entre a Praça Quinze de Novembro e o Teatro Armando Gonzaga, o comércio diminui e as antigas casas do Instituto da Previdência ficam mais notórias.
 |
Uma das poucas casas
bem conservadas. Linda! |
As casas antigas agora ficam mais aos olhos de quem quer analisá-las melhor pois não são usadas como lojas. Diria que 95% delas carece de cuidados e recuperação, o que não quer dizer que não sejam encantadoras. Sempre digo que é preciso ver esses imóveis com um olhar meio de raio laser. É dessa forma que conseguiremos perceber o quão importantes e interessantes eles são para a nossa história. Na esquina da Rua Brigadeiro Delamare, por exemplo, é possível ver a lateral destas casas, que contam com uma ou duas janelas e um gigante paredão adornado por grafiteiros. Já ia me esquecendo: uma das casas ainda mantém na fachada uma modesta placa que indicava "Instituto da Previdência".
O mais interessante neste trecho é poder ver a lateral das casas nas esquinas. Na primeira foto, à esquerda, pode-se ver um enorme grafite de São Jorge e a massa de cimento cobrindo alguma modificação feita na fachada. Já na foto ao lado, os donos do imóvel reduziram as altas e padronizadas janelas retangulares pela metade da sua altura.
 |
O Teatro Armando Gonzaga |
No fim da avenida, uma das maiores joias do bairro: o Teatro Armando Gonzaga. Em estilo modernista, foi projetado e construído em 1950 pelo francês Affonso Eduardo Reidy, com paisagismo de Burle Marx. Foi tombado em 1989 e é citado em várias enciclopédias da Europa e dos Estados Unidos, sendo modelo de estudo para alunos de Arquitetura de diversas faculdades do Brasil e do exterior. Infelizmente os melhores espetáculos da cidade não saem do circuito Centro-Zona Sul, tornando o Teatro Armando Gonzaga pouco conhecido entre os cariocas. No entorno dele estão diversos pontos finais de ônibus, o Hospital Estadual Carlos Chagas e a simpática Paróquia Nossa Senhora das Graças, já na Rua Capitão Rubens.
No último trecho da principal avenida de Marechal Hermes, o conceituado Teatro Armando Gonzaga e o Hospital Estadual Carlos Chagas.
Já na Rua Capitão Rubens, a Paróquia Nossa Senhora das Graças, bem em frente ao teatro.
Sinceramente? Fiquei realmente admirado em conhecer mais de perto Marechal Hermes. Eu não vou negar que é um bairro que precisa de recuperação, mais dos seus imóveis do que das próprias ruas e praças, que estão bem conservadas. Marechal Hermes é um bairro rico em história e deveria ser tombado. E foi exatamente nesse ponto que eu comecei a formular minhas ideias: como enaltecer novamente essas áreas da cidade? Aqui no Rio, infelizmente, não existe muito essa coisa da revitalização de lugares de acordo com a sua importância histórica, mas sim de acordo com a sua localização — em geral, precisa estar no circuito turístico ou próximo — e no retorno financeiro que seria proporcionado, ou seja, a valorização do terreno e a atração empresarial. Acredito que esse seja um grande desafio para o Rio de Janeiro nas próximas décadas: aprender a parar de maltratar a nossa história. Espero que tenham gostado!