Emendo aqui o post anterior com algumas outras observações à respeito do futuro do blog, agora - oficialmente - no site da Veja Rio.
Analisando não só um grupo próximo de pessoas, mas como a população brasileira, em geral, é fato que muitos têm uma certa resistência contra a Revista Veja em função do que se publica aí e de suas orientações, sejam essas quais forem. No entanto, a migração do As Ruas do Rio para o site da Veja Rio não tem (e não terá) absolutamente nada a ver com as orientações políticas - entre outras - que a Revista siga ou venha a seguir. Não virei funcionário da Veja Rio, tampouco vendi o blog para eles. Ele continua sendo meu, seguindo a mesma abordagem, sem interferência alguma sobre o que falar e como falar.
A minha decisão de aceitar o convite foi a de que eu considero o site como um meio de dar mais publicidade aos tópicos que eu venho abordando aqui no blog, como o urbanismo, seus elementos e como se relacionam dentro da cidade do Rio. Assuntos que são pouco discutidos fora do ambiente acadêmico ou que não conseguem tanta visibilidade. Minhas intenções são as melhores, e o objetivo, a partir de agora, é justamente a expansão dessas discussões, que elas possam alcançar outras pessoas através de um meio de comunicação que já conta com um número considerável de seguidores. Se são pessoas com opiniões e/ou princípios parecidos e/ou diferentes aos meus e/ou aos seus, não importa - é nessa divergência que o debate enriquece, desde que exista o respeito entre as partes.
E é com esse todo respeito que eu lhes convido a continuar me seguindo. Podem ter certeza que nada mudará; eu continuo dominando o processo de publicação do início ao fim. Todas as ideias são minhas, sou eu quem continuo escrevendo, sou eu quem continuo me deslocando para diferentes lugares em busca de fotos... O único vínculo mesmo com a Veja Rio é o site, a qual agradeço pelo reconhecimento de um hobby que virou coisa séria graças à vocês, leitores, que não deixam uma postagem minha sequer sem comentários e que sempre me visitam.
Comecei a escrever neste blog há quase exatos dois anos, em Junho de 2009, em um momento que a minha cabeça borbulhava de ideias sobre coisas que eu gostava (e gosto) de fazer. Criei, despretensiosamente, um domínio aqui no blogspot, com o nome de asruasdorio, e fui moldando o projeto do que eu gostaria de criar, expor e compartilhar com pessoas de interesses afins. Comecei fotografando e escrevendo sobre ruas - o forte! -, publicando crônicas de que gostava, até que me vi aprofundando em tremendos assuntos de geografia carioca (como os sub-bairros, por exemplo) e críticas (sempre construtivas) às modalidades de transporte público no Rio. Tema, aliás, bastante recorrente por aqui e do qual me orgulho de ter me enveredado pois é de utilidade pública, sem dúvidas.
Ao longo desse tempo, conheci muita gente interessante através de e-mails e comentários espirituosos. Alguns mantenho contato; com outros, troco palavras esporadicamente. Pode não parecer, mas produzi muito conhecimento - procurei ler livros não só pelo meu interesse, mas também pensando numa forma de como compartilhar tal conhecimento com os leitores daqui. O melhor exemplo foi sobre o especial de Marechal Hermes, em março deste ano. Um bairro que para mim parecia tão distante, tornou-se um dos meus preferidos do ponto de vista antropológico; tenho utilizado-o como tema de trabalhos na faculdade no que tange às políticas públicas e tenho-me saído bem. E contente.
OK, sem mais enrolações, queria agradecer a todos os que acompanham o blog e que fazem crescê-lo com opiniões, comentários e sugestões de pauta. O "As Ruas do Rio", a partir de hoje, se encerrerá aqui neste endereço para começar uma nova etapa - e espero que vocês me continuem me acessando nessa nova etapa. Mas não se preocupem pois o arquivo permanecerá aqui intacto para visitas, consultas e opiniões.
Fui convidado para "transportar" o blog "As Ruas do Rio" pela editora da revista Veja Rio, Fernanda Thedim, para o próprio site da Vejinha, que foi todo remodelado. Não só o "As Ruas do Rio" mas como diversos outros blogs cariocas-independentes irão reestrear através de uma "janela" mais visível, que é o site da Vejinha. Por questões técnicas e burocráticas, não foi possível mover todo o conteúdo já publicado aqui para lá - então, deixarei o blog do jeito em que ele se encontra, para quem quiser pesquisar/acessar o antigo material.
A partir de agora, acessem o "As Ruas do Rio" através do endereço: vejario.abril.com.br/blog/as-ruas-do-rio. O blog continuará o mesmo, com as mesmas pautas, sempre com criações e opiniões minhas - ele seguirá sendo independente, logo, sob minha responsabilidade -, apenas com layout e plataforma diferentes, que serão oferecidas pela Vejinha. Ele ainda está com alguns erros técnicos (não dá ainda para comentar, por exemplo!), mas em breve estará funcionando perfeitamente. Espero encontrá-los por lá!
Foi com uma grande tristeza que recebi a notícia da morte do professor e doutor Mauricio de Almeida Abreu, especialista em geografia histórica do Rio de Janeiro, hoje, dia 9 de junho. Ele vinha lutando contra um câncer no cérebro, mas, pelo visto, não resistiu.
Para quem não sabe, ele é o autor de um dos livros mais interessantes e completos sobre a evolução urbana da cidade do Rio, a partir de meados do século XIX aos dias de hoje. Um título raro e de referência para qualquer estudo e pesquisa sobre o Rio de Janeiro nas ciências sociais. No fim do ano passado, ele lançou sua última obra, Geografia Histórica do Rio de Janeiro (1502-1700), que demorou bastante para ficar pronta devido à complexidade da pesquisa, à qual ele vinha se dedicando incansavelmente ao longo desses anos. Era mesmo uma missão importante terminar este belo e importante trabalho antes do adeus.
Cursei o Bacharelado em Geografia da UFRJ entre 2007 e 2008 - não completando-o - e tive a oportunidade de participar, por alguns meses, das reuniões de iniciação científica coordenadas por ele. Lembro-me de que nessa época seu estado já não era dos melhores, embora suas aulas e orientações fossem muito produtivas e ricas em detalhes. Orgulho-me de ter tido esse contato direto com ele, pois é um dos cientistas dos quais mais me inspiro para seguir a minha carreira, mesmo que agora na área de Administração Pública.
Visita do prof. Mauricio de Abreu ao Instituto Histórico
e Geográfico do Rio Grande do Sul.
Mauricio de Abreu nasceu em 1948, foi professor titular do programa de graduação e pós-graduação em Geografia da UFRJ, com mestrado e doutorado pela Ohio State University (EUA). Sua principal obra: A Evolução Urbana do Rio de Janeiro, publicado em 1987. Mais facilmente encontrado na Livraria da Travessa ou na sede do Instituto Pereira Passos (Rua Gago Coutinho 52-Térreo, no Largo do Machado).
Regiões fora do eixo turístico receberão investimentos milionários
Uma das áreas mais cinzentas do Rio de Janeiro está com seus dias contados. O entorno do estádio do Maracanã, a Avenida Radial Oeste e a Quinta da Boa Vista, ao lado, serão reformuladíssimos para os eventos esportivos de 2014 e 2016. Simulações do projeto já haviam saído timidamente nos jornais e em outros veículos de comunicação, inclusive eu postei aqui em outubro de 2010 uma pequena nota sobre o conjunto da obra, previsto para ser inaugurado em etapas.
Só me dei conta da grandiosidade do projeto através de um amigo, que me enviou o link do vídeo no Youtube com as intervenções em movimento. É fantástico! Uma novidade aí, já que até então eu desconhecia, será a construção do Parque Glaziou. Será uma nova área de lazer entre a Quinta da Boa Vista e a estrada de ferro, mais ou menos onde ali está hoje a Rua General Herculano Gomes e a Praça Professora Alice Brasil. Muito interessante, vale a pena ver o vídeo.
Outra área também estagnada de intervenções urbanas, principalmente na área de transporte, é o subúrbio. Antigamente havia um projeto de metrô para essa região, que começaria no Aeroporto Internacional, terminando lá na Barra, passando pela Penha, Vaz Lobo, Madureira e Praça Seca. Como todos sabem o quão difícil é implementar um metrô na cidade, não só por dificuldades técnicas como também burocráticas, a opção da Prefeitura foi a criação da Transcarioca. A Transcarioca vai ser uma avenida de grande porte compartilhada com pistas internas que serão usadas pelos ônibus do BRT, parando em estações pré-determinadas, assim como é o metrô.
Não sou lá desses caras pessimistas, mas é inevitável a pergunta: será que vai dar certo? Digo isso porque, quem é de fora do Rio, talvez não saiba que a cidade em pauta não é lá muito famosa por obras bem sucedidas... Principalmente as de alto nível de complexidade, como essas. Estou na torcida!
O destino cruel das lojas tradicionais da cidade que não sobrevivem aos "novos tempos"
Bem no fim do ano passado, quando foi anunciada a "morte" da tradicional loja de discos Modern Sound, em Copacabana, eu já havia comentado com meus pais e alguns amigos próximos sobre a minha aposta: "Ferrou. Ali vai virar uma Americanas Express". Tal premissa se deve ao fato de que, hoje em dia, o comércio de rua está cada vez mais igual e massificado. Apostei especificamente nas Lojas Americanas pois, desde a compra da Blockbuster em 2007, ela tem se proliferado em cada esquina de qualquer bairro, como se fosse uma padaria, com o título de Americanas Express. Compete exaustivamente com essas iogurterias também de nome parecido... Enfim, as Lojas Americanas quebra bastante o meu galho no que diz respeito a chocolates e DVDs, embora essa sua perpetuação pelas ruas esteja quase insuportável e vulgar; afinal, alugar filme na Blockbuster com calcinha e tintura de cabelo nas estantes coladas às dos filmes acaba com todo o encanto (importado/hollywoodiano/e por que não burguês?) bastante peculiar da antiga Block.
O panorama da Rua Barata Ribeiro com a extinta Modern Sound, uma das últimas grandes lojas de discos independentes no Rio.
É preciso reconhecer que certos estilos de lojas já não funcionam em decorrência do mundo muderno. Realmente, não tem como a Modern Sound sobreviver, se nem a loja da Virgin, na Times Square, conseguiu... E, claro, numa cidade como o Rio, com aluguéis carerésimos, é complicado das lojas comandadas por pequenos empresários, mesmo que ainda úteis ao comércio de bairro, persistirem. O dinheiro é quem manda, e quem o tem são as grandes cadeias de lojas, dispostas (e capazes) de pagar por grandes imóveis nos endereços mais comerciais da cidade.
Como já relatado em um post do início de janeiro, antigamente as ruas comerciais tinham a sua própria particularidade: a região da Rua da Alfândega era mais para o comércio popularesco; a Nossa Senhora de Copacabana oferecia boutiques tradicionais e sem filiais, ou seja, únicas; a Praça Saens Peña representava a maior concentração de cinemas do Rio; entre outros bons exemplos. A questão é que isso tudo acabou - o comércio de rua está igual em qualquer lugar. As mesmas lojas que há no Saara você pode encontrar em Copacabana, assim como em Botafogo, na Tijuca, em Vila Isabel, em Jacarepaguá... É, amigos, eu quase acertei. No lugar da extinta Modern Sound será aberta uma filial da Leader Magazine*. Nada contra, mas... diante do que foi a Rua Barata Ribeiro 502 até então, o novo panorama é lamentável, com todo o respeito.
Um passeio pela charmosa Rua Rio de Janeiro, localizada na capital vizinha
Rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo: prédios simpáticos dos anos 40 e 50 fazem parte do circuito
Para mim é impossível ir à cidade de São Paulo e não visitar, pelo menos por um pouquinho de tempo, as belíssimas ruas do bairro de Higienópolis, no centro da capital. A região destoa de todo aquele estereótipo de largas avenidas e prédios ultramodernos ostentado por São Paulo; pelo contrário, é um bairro pra lá de familiar, pequeno e com o melhor da "antiga" arquitetura. Uma mistura do bairro do Flamengo nos áureos tempos com a porteña Recoleta, em Buenos Aires. Agradabilíssimo. Parte das ruas de Higienópolis recebe o nome de estados brasileiros... foi aí que me deparei com a Rua Rio de Janeiro. Mesmo estando em São Paulo, não deixa de ser uma rua do Rio! (Ha!)
Edifício Barão de Loreto:
imóvel aí custa em média R$ 1.244.389,13
A Rua Rio de Janeiro é constituída por edifícios de diferentes estilos arquitetônicos, embora muito iguais em charme. Mesmo os mais modernos, que são poucos, refletem toda a pompa ostentada por Higienópolis, berço da aristocracia paulistana. Árvores e pequenos canteiros ficam dispostos ao longo das muito bem niveladas calçadas, em intervalos bem definidos. Em alguns trechos, parte da calçada perde seu cimento para dar espaço a blocos de gramado que felizmente não portavam cocôs de cachorro. Uma observação interessante, não só dessa rua, mas como de muitas em São Paulo, é que elas contam com cestos metálicos de lixo em frente de cada imóvel. Ao invés daquelas sacolas azuis empilhadas no chão, acompanhadas de entulhos dispensados por nós, cidadãos, busca-se um critério pela organização da coleta do lixo, mesmo que não seja seletiva.
A Rua Rio de Janeiro nos arredores da Rua Pernambuco
Distanciando ainda mais da figura do típico-caótico trânsito paulistano, a Rua Rio de Janeiro é bem calminha, podendo-se até caminhar pela sua via se houver cuidado. Mas quase ninguém faz isso! Pareceu-me que o limite calçada-rua era bem respeitado, ainda mais naquela fria manhã de domingo ensolarado. Deve ser hábito comum dos moradores de Higienópolis caminharem e correrem pelas alamedas do bairro nos fins de semana. Pelo menos ao longo da Rua Rio de Janeiro, muitos iam-e-vinham devidamente agasalhados (mesmo!) em seus trajes de ginástica. Na falta de um calçadão, Higienópolis conta com o Parque Buenos Aires, bem próximo da Rua Rio de Janeiro, que acaba transformando-se em uma expansão deste através da Rua Piauí.
Horizonte sem prédios:
zona alta
Um dos grandes baratos de Higienópolis - e especialmente da Rua Rio de Janeiro - é por estar em uma parte bastante alta. Aliás, é bom reiterar que as ruas de São Paulo são formadas por altos e baixos, ladeiras por todos os lados. Como alguns prédios foram construídos no centro do terreno, ou, em outros, a entrada para garagem se dá pela lateral, tem-se uma bela vista do horizonte, bem azul, justamente porque ali é a parte alta. Aproximando-se, é possível avistar casas e prédios ao longe e em nível inferior, que é a região do bairro do Pacaembu, onde está o estádio de mesmo nome. O desnível entre as ruas pode ainda ser constatado pela Praça Esther Mesquita, que é quase uma espécie de "barranco" arborizado, separando a Rio de Janeiro da Rua Engenheiro Edgar Egídio de Sousa. O acesso entre os dois logradouros se dá por uma íngreme escadaria.
Praça Esther Mesquita, no final da Rua Rio de Janeiro: pausa para o descanso
Consideraria a parte mais agradável da Rua Rio de Janeiro o seu final, no encontro com a Avenida Higienópolis e a Rua Conselheiro Brotero. É ali onde a parte "utilizável" da Praça Esther Mesquita se encontra, cheia de mesinhas e cadeiras oferecidas, provavelmente, pela barraquinha de frutas. Bem ao lado, só que mais isolado, diversos aparelhos públicos de ginástica, destes novos, verdes, que a Prefeitura anda colocando em pontos estratégicos, mesmo aqui no Rio. É ali onde babás, em seus branquíssimos uniformes, remexiam seus sorridentes bebês nos respectivos carrinhos. A banca de jornal parece atender não só aos moradores da área, mas a quem quisesse parar por ali para ler uma revista ou jornal. Até água de côco estavam tomando! Bom... Parabéns para a Rua Rio de Janeiro... apesar de estar em São Paulo, ela bem que conseguiu fazer jus ao seu nome!
Rua Rio de Janeiro com Avenida Higienópolis. Observe que a sinalização das ruas ocorre de duas formas: na parte inferior, para pedestres, e na superior, para motoristas.
Veja mais fotos da Rua Rio de Janeiro, em São Paulo: