Especial sobre a rua que mais parece um canteiro de obras, na Zona Oeste da cidade.
Início da Rua Araguaia com a Estrada do Guanumbi: construtora inova seu stand de vendas com luxo e requinte para um futuro lançamento imobiliário no local.
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Rua Araguaia |
Meu pai está sempre de passagem por esta região e volta e meia me fala como a Freguesia é um bairro em transformação. É quase um bota-abaixo para reerguer modernos edifícios nos moldes dos da Barra da Tijuca. Esse foi o jeito que as grandes construtoras e imobiliárias visualizaram de oferecer moradias almejadas e modernas às famílias de classe média que não se encaixam no padrão econômico dos apartamentos da Barra mas que também não combinam com o perfil do subúrbio carioca. A paisagem da Freguesia está sendo modificada aos poucos, sendo convertida em uma ilha de grandes condomínios luxuosos. E a Rua Araguaia representa bem esse boom imobiliário por ali.
As casas originais da Rua Araguaia aos poucos vão cedendo lugar aos novos lançamentos imobiliários. Como se pode perceber na foto à direita, caminhões carregando materiais de construção não são raros pela rua.
No próprio início da rua, junto das estradas do Pau-Ferro e do Guanumbi, já se pode ter uma noção do glamour pretendido pela construtora Santa Cecília para o seu futuro lançamento no logradouro. Foi construído quase um clube-parque, com muitas palmeiras, lagos artificiais com fontes, muito bem ajardinado e uma bela casa onde ficam os corretores. Realmente foi impactante, eu não esperava ver um stand de vendas tão bem equipado e bonito, ainda mais com o jogo de montanhas ao fundo. Algumas partes da rocha eram desarborizadas, deixando bem nítida a imagem de “pedra molhada”. Lindo!
As casas mais marcantes seguem um estilo com frentes largas e de, pelo menos, dois pavimentos - sempre com um ajardinado na frente. À direita, a Rua Santa Perpétua, fechada por um portão.
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Terreno baldio coberto por tapumes: em
breve, um novo lançamento imobiliário |
Adentrei a Rua Araguaia nesse primeiro trecho e a impressão que eu tive era de que a rua, na verdade, mais parece um canteiro de obras. É um vai-e-vem de pedreiros e ajudantes sem fim. Percebi, também, que um lado da calçada era toda tomada por novos prédios enquanto, do outro, ainda eram preservados os antigos imóveis da rua, muitos deles casas grande e altas, de frente larga. As, de fato, mais antigas, se assemelham àquelas casas confortáveis do subúrbio, com varandas e a imagem de um santo no topo da fachada. Algumas poucas outras seguem um modelo mais moderno e, mesmo assim, não se pode ver muito bem pela altura dos seus muros.
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Alguns dos prédios |
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Ipê amarelo |
A Araguaia, no seu início, se assemelha mais a um subúrbio dos Estados Unidos e cheira a mato e terra molhada. Talvez seja pela proximidade com a serra e as montanhas. As calçadas são todas tomadas por jardins e canteiros, do início ao fim. Parece ser uma coisa muito bem preservada pelos moradores, como se fizessem questão da presença destes jardins por ali, assim como acontece no Grajaú (relembre o post de 11/12/10). A rua é muito bem arborizada e me agradou demais ver flores nesta época do ano. Tinha um ipê amarelo danado de bonito – e florescido – mais ou menos em frente ao número 1459 da Araguaia.
A Mac Gregor é uma simpática pracinha no cruzamento da Araguaia com ruas Joaquim Pinheiro e Geminiano de Góis. A sua conservação deixa um pouco a desejar, mas, em conjunto com os jardins dos prédios ao redor, forma uma bonita paisagem.
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Calçada bem preservada e arborizada traz
bem estar a um simples passeio matutino |
Por mais que eu prefira os prédios mais antigos e clássicos, principalmente os art déco, reconheço que essa nova onda de apartamentos com varandas espelhadas tem o seu devido valor. No Rio de Janeiro, o antigo é, como um todo, muito mal preservado e decadente. As calçadas, de responsabilidade dos proprietários, são piores ainda. Esse novo estilo de morar, em condomínios ou prédios como os da Rua Araguaia, revolucionam a paisagem de uma rua ou um bairro por serem construções de impacto e limpeza. No pacote, transformam o pedaço da calçada em um ambiente agradável de se caminhar, com iluminação especial e automática, sem falar nos meus tão amados jardins. Logo, vejo que a beleza e a valorização destes novos imóveis não está precisamente na sua arquitetura, mas sim no que eles proporcionam ao meio urbano. Talvez se o antigo fosse mais valorizado, como é na Europa, este padrão de prédio com varanda seria bem mais polêmico entre arquitetos e urbanistas. O que é inegável é a rentabilidade que as construtoras adquirem, pois é este o padrão de moradia que chama a atenção das classes médias por representarem um sinônimo de status. E não deixa de ser, afinal, quem não quer uma piscininha e uma academia no seu próprio edifício? Eu queria!


Algo do comércio da Rua Araguaia. Alguns estabelecimentos mantém um clima interiorano, como uma casa que vende comida caseira, quase na esquina com a Rua Xingu.
Um pouco mais do panorama da Rua Araguaia, entre as ruas Comandante Rubens Silva e Xingu.
Agora um ponto importante e negativo observado na Rua Araguaia: ela é mal sinalizada. De todas as formas. Quase não há placas-pirulito, aquelas que indicam o nome das ruas. Só na Praça Mac Gregor, quando a Araguaia se encontra com a Rua Geminiano de Góis, é que aparecem algumas das placas. Nem aquelas coladas na parede eu cheguei a encontrar. Os cruzamentos com a Estrada do Bananal e as ruas Xingu, Comandante Rubens Silva e Firmino do Amaral são carentes de sinalização. Até mesmo o trânsito é confuso pelo fato da rua ser mão dupla. Não chega a ser um tráfego pesado. Muito pelo contrário. Ali é tão calmo que, sem perceber, eu me via andando fora da calçada e quando menos esperava surgiam dois carros em sentidos opostos.
Duas esquinas, dois botecos: na primeira foto, o famoso Manoel & Joaquim, na esquina com a Firmino do Amaral. Na segunda, um boteco pé sujão na esquina com a Rua Xingu em direção à Firmino do Amaral: seria um morro lá pra cima?
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Praça Tedim Cerqueira e
a Avenida Geremário Dantas |
Da Praça Mac Gregor em diante, a Rua Araguaia conserva mais da sua paisagem original. Aquele bando de prédios em construção fica mais na primeira quadra, embora isso não queira dizer que não existam terrenos baldios preparados para novas construções entre as ruas Xingu e Rubens Silva. Parte dessa paisagem original, estão alguns estabelecimentos comerciais mais populares, um mercado de bairro e a filial do botequim Manoel & Juaquim, na esquina com a Rua Firmino do Amaral. Quase na Geremário Dantas, estão os colégios Primus e Garriga. Já na própria Geremário, o final da Rua Araguaia, está a praça Tedim Cerqueira. Tive uma ótima impressão de uma região que não sou bom conhecedor e saí de lá com a sensação de que Jacarepaguá promete. Mais ainda se levarem o metrô até lá, através de uma linha decente, é claro. Gostei bastante! :-)
Manoel & Juaquim Endereço: Rua Araguaia 235 | Freguesia | JacarepaguáHorário: De segunda a sábado, das 17h até o penúltimo freguês.Telefone: 0xx21 3414 1858Site: http://www.manoelejuaquim.com.br