4.2.11

"As cidades somos nós: desenhando a mobilidade do futuro"

Centro Cultural
Correios
A exposição citada no post anterior é realmente demais. Eu fui conhecê-la hoje e recomendo a ida até o Centro Cultural Correios para quem seja ou esteja no Rio de Janeiro. Vale a pena!

"As cidades somos nós: desenhando a mobilidade do futuro" é um programa/projeto do Institute for Transportation and Development Policy - ITDP, tendo sido inaugurada pela primeira vez no Centro de Arquitetura de Nova York com o nome de "Our cities ourselves". A mostra traz proposta de melhorias urbanas e paisagísticas visando a sustentabilidade para diversas cidades ao redor do mundo como Nova York, Budapeste, Jacarta, Cidade do México, Buenos Aires, e, claro, o nosso Rio de Janeiro.

A exposição é dividida em duas salas, onde na primeira dedicou-se somente aos projetos mais detalhados para o Rio. A área de estudo do ITDP foi a Avenida Presidente Vargas, entre a Saara e a Central do Brasil - um dos lugares mais quentes da cidade, por sinal. Muito além das simulações bonitinhas e coloridas, um dos preceitos básicos destes estudos e simulações é o de devolver aos pedestres um espaço cada vez maior de circulação em detrimento dos automóveis, que dominaram gradativamente cada canto das cidades apresentadas. Fica bem explícita a propaganda: use a bicicleta, o triciclo, o skate, o metrô, menos o carro.

 A primeira sala do ambiente é dedicada aos projetos e imagens mais detalhadas sobre a cidade do Rio.

 Simulação da evolução da Avenida Presidente Vargas no que tange à largura das calçadas e dos espaços voltados para o pedestre. Se em 2011 esse espaço é mínimo, a tendência é que em 2030 grande parte da área urbana no entorno da Central e Saara seja nosso e do transporte limpo, e não mais dos automóveis.

Os exemplos são os mais variados. No caso do Rio, a Presidente Vargas poderia ser transformada em um belo bulevar, com gramado, mais árvores e transportes limpos, como veículo leve sobre trilhos. Propõe, inclusive, mudanças radicais para os fundos da Central do Brasil, mais especificamente à Rua Bento Ribeiro. Em cada painel foram expostas imagens atuais com outras simuladas para o ano de 2030, além de um quadro explicativo mostrando as dificuldades e problemas nos dias de hoje e as soluções (criativas) para o futuro. Um outro caso muito interessante foi o da cidade de Guangzhou, na China. O ITDP mostrou uma proposta de reaproveitamento de um antigo viaduto sobre as margens do rio das Pérolas. O viaduto se transformaria em um local de passeio para pedestres e bicicletas, inspirado no "high line" de Nova York.

Quantas pessoas cabem
em um m²?
Outro ponto muito bacana da exposição foi a criação de uma espécie de "dez mandamentos" para a melhoria das condições de vida no espaço urbano. Algumas delas, como "Ande a pé - crie ambientes que privilegiem os pedestres" e "Conecte as quadras - proporcione caminhadas diretas e produtivas, com quadras e edifícios de pequeno porte", ficam expostas em uma parede com imagens em preto e branco de diversas cidades ao redor do mundo - em geral, fotos do cotidiano em alusão ao conteúdo das mensagens. Se olhar para o chão, há um desenho do interior de um ônibus em tamanho real com diversas informações interessantes no formato de bancos. Próximo à porta de entrada, uma sinalização do que representa um metro quadrado e a média de pessoas que ocupam esse espaço em um coletivo em cidades como Nova York e Cidade do México. Para o meu espanto, na capital mexicana um ônibus é considerado cheio há 7 pessoas por m². Eu me inseri no quadrado e pude visualizar que só cabíamos confortavelmente mais duas pessoas, além de mim. Incrível como vivemos mal e porcamente nos grandes centros.

O barato do "As cidades somos nós" é que ela nos mostra que muitos dos projetos apresentados não dependem muito do fator "dinheiro", mas sim de "boa vontade política". As ideias são baratas mas não menos criativas e chamativas. São ideias totalmente modernas, que deveriam ser de interesse geral dos cidadãos. Apesar de saber que muito do que foi apresentado está longe de acontecer, pelo menos aqui no Brasil pois as coisas são "ruins de transa", a exposição provoca uma vontade de participar mais ativamente dessa reestruturação urbana, além de muita imaginação, que pode ser posta em prática, sim.

 Propostas para a Central e seus fundos, que é hoje um dos lugares mais degradados do Centro do Rio.

As Cidades Somos Nós — Desenhando a Mobilidade do Futuro
Onde: Centro Cultural Correios, de 03.02 a 13.03.11
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí 20 | Centro | CEP 20010-976
Horário: O Centro Cultural Correios recebe visitantes de terça-feira a domingo, das 12 às 19h. Entrada franca.
Telefone: 0xx21 2253 1580
Site: www.correios.com.br

Um comentário:

gabriel disse...

Visitei a exposição e achei ótima!
Realmente o Centro do Rio é um lugar muito diversificado...
Vc sai da caótica Presidente Vargas, e entra em ruas de séculos atrás...