10.7.10

A Tijuca pouco conhecida

Rua na Tijuca é um dos maiores símbolos dos Anos Dourados do bairro. Com arquitetura e árvores diferenciadas, o diferencial fica mesmo sob o cargo da natureza.


Baseando-me na enquete ao lado é que estou me guiando para trazer as próximas ruas praqui pro blog. Pretendo, é claro, seguir a ordem de preferência, isto é, as que receberam mais votos - no caso, a Rua Lacerda Coutinho, em Copacabana. Porém, eu já tinha arquivado desde junho umas fotos dessa simpática ruazinha que eu lhes trago agora e achei interessante ir já publicando o material acumulado. Na verdade, era para eu ter fotografado a Travessa Jaicós, na Tijuca, como o proposto pela enquete. O problema é que eu continuei andando ali pelas imediações do Colégio Batista Shepard - local onde fica a Jaicós - e acabei me vendo encantado ao percorrer toda a Rua Sabóia Lima, a partir da cancela. Quando eu cheguei no final dela, tive uma grata supresa. Dessa vez, vou deixar que as fotos os guiem mais do que o meu próprio texto.


LOCALIZAÇÃO CARTOGRÁFICA da Rua Sabóia Lima, na Tijuca.
Grau de periculosidade sentida (de Zero a 5): Zero. O local conta com guarita particular.



ESSA É A ENTRADA da Rua Sabóia Lima a partir da cancela, nas imediações da Rua Ernesto Sena. A Sabóia, no entanto, começa na Praça Gabriel Soares, ponto final da linha 409 (Saens Peña - Jardim Botânico). Observe a imponência das casas!



A RUA, EM SUAVES aclives, se espraia em direção ao Maciço da Tijuca. Na foto é possível ver que a Sabóia Lima está praticamente encostada com a mata da floresta.



A CADA PASSO percorrido, algum tipo arquitetônico diferente. Majoritariamente constituída por casas, de variados tamanhos, das mais simples às mais pomposas, a rua tijucana também conta com alguns pequenos edifícios.



MUROS ALTOS, muros baixos: a variedade é gigante. Mas o que realmente impressiona é o tradicionalismo do local.



ESTÃO ALGUNS DOS IMÓVEIS mais charmosos da Rua Sabóia Lima: o primeiro, à esquerda, indica ser uma residência. A pintura, no entanto, deixa a desejar, embora seja inegável a beleza da casa - talvez mais surpreendente do que bela, afinal, não é comum achar aqui pelo Rio casas nesses estilos europeus (suíço, poderia ser?). As duas outras fotos mostram, sob diferentes ângulos, o imóvel onde se situa a Fraternidade Rosa-Cruz Antiga , uma espécie de igreja gnóstica. Tem ou não uma clima super antigão? Se a foto do meio estivesse em preto e branco, poderia se passar muito facilmente por uma foto dos anos 40. Vocês vão ver que a Rua Sabóia Lima é bem assim, desse jeito, uma rua meio de vovô e vovó, que moram ali já há muitas décadas e não saem desse recanto por nada!



MUITAS DAS CASAS por ali ficam, em geral, em um andar mais elevado. Na parte debaixo, fica a garagem além de belos jardins.



MAIS DA RUA Sabóia Lima.



PONTO FINAL DA Sabóia: as últimas casas e um portão. Portão?! Sim, um portão. Com os dizeres: "Sendo Presidente da República o Sr. Dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves (...) assentou este Contador Venturi, o primeiro neste gênero, installado para o serviço do abastecimento d'água à Capital Federal, em 28/2/1906". Ali é o caminho da represa do Rio Trapicheiros e, hoje, é de propriedade da Cedae e proibida à visitação. O Contador Venturi, citado na placa, era um tipo de contador que servia para medir o quanto de água era fornecida aos moradores da região.



À DIREITA DO PORTÃO DA represa do Rio Trapicheiros, fica a Praça Hans Klussmann. Exótica, ela aproveita o frescor e o esverdeado da mata próxima para montar uma mini floresta de bichinhos de cerâmica. A produção, no entanto, foi de um morador da Sabóia Lima.



ADENTRANDO A PRAÇA, olha o que se encontra: um riacho! Proveniente do próprio Trapicheiros, ele desemboca lá embaixo, perto do Colégio Batista Shepard. O barulhinho de água corrente junto do clima super agradável da Praça Hans Klussmann te faz achar, realmente, que você está no próprio Alto da Boa Vista. Definitivamente, o Rio guarda segredos incríveis!


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23 comentários:

Samila Soares disse...

Oi Pedro, a Sabóia Lima é linda mesmo, pena que essa água que corre está poluída por conta de uma nova favela que está se plantando na Rua Henrique Fleuiss, que fica paralela a esta. Mas realmente é um lugar delicioso de se passear. Vou postar um link lá no blog, ok? Adorei! Sds.

GESTAO ESTRATEGICA E AVALIAÇAO DO DESEMPENHO disse...

Rua muito agradável e completamente desconhecida por mim!

Paulo Moura disse...

Essa localidade é muito bonita mesmo. Parabéns!

Anônimo disse...

é tranquilo passar pelas guaritas ou é preciso se identificar ?

Pedro Paulo Bastos disse...

Não é necessário se identificar, apesar da rua contar com uma cancela. O acesso é livre!

Ivo Korytowski disse...

Essa rua é muito bonitinha.

Anônimo disse...

A Rua Sabóia Lima já teve um encanto maior. As crianças brincavam livremente pelas calçadas.. desciam de skate, carrinho de rolimã.. faziam bazar de chocolate.. até peça de teatro e cantata de Natal!
Havia a querida igreja da Vizinhança organizada por missionários americanos que até hoje nos deixam saudade. O castelinho é bem velhinho... o problema atual são os mosquitos que nascem no Rio Trapicheiros e nos atormenta diariamente. Sua espécie é o simlídio, vulgarmente conhecido como borrachudo. Contudo, a Comlurb, teledengue, prefetura nada mais fazem para nos ajdar por aqui. Antes era o lixo que ficava empoçando os ninhos para esses mosquitos.. colocavam remédio, limpavam o afluente e pronto.. agora não há competência.. uma instituição joga a responsabilidade para a outra. Entretanto o fim da rua... é uma fantasia só. O parque que fica na memória de toda criança... inclusive na minha. Um parque de bichos de concreto em tamanho real!
Sabe, viver na Sabóia tem algo de bom, ouvimos os pássaros, vemos tucanos e recebemos a visita de alguns micos. Realmente vivemos a floresta! Viver na Sabóia foi conquistar amigos eternos. Viver na Sabóia é sentir um ar mais frio que passa pelo corredor desta rua. Quem dera ter isso pra sempre...
Faço um apelo pela pintura do castelinho e dos bichos do fim da rua, por taparem muitos buracos que tem aparecido, para a eficácia da CEDAE, pelo silêncio na rua que muitas vezes falta por vizinhos que não sabem o valor e a história deste espaço e quem sabe de uma nova fórmula de um fumacê! A Rua é pública sim! E aberta a visitação com muita admiração e moderação!!! Sejam bem vindos!

Anônimo disse...

O Puma Cinza é meu!! =D

sandra solange disse...

Conheci esta RUA hoje, fazendo minha caminhada e resolvi me aventurar por ter me mudado para Tijuca há um ano; trabalho de segunda a sexta, só nos finais de semana posso conhecer o bairro e então me deparei com este ENCANTAMENTO que é esta rua e principalmente sua praça com os bichos de pedra, acredita que dentro do riacho tem uma baleia feita de pedra? um polvo? jacaré? Infelizmente bastante abandonada, mas simplesmente LINDA.Fiquei Apaixonada !!! Sandra Solange

Valmir Barbosa disse...

Lamentável não citar o nome do ilustre morador que deu vida e graça à Praça Hans Klussmann, com seus bichos de cerâmica.
Valmir Barbosa-Professor

Pedro Paulo Bastos disse...

Olá Valmir. Peço perdão, pois desconhecia a sua relação para com a criação da praça. Prazer tê-lo aqui no blog! Um abraço!

Anônimo disse...

Ué, quem fez a pracinha do fim da rua não foi o professor Paulo de Tarso, não?

Precisamos acionar algum órgão, tipo parques e jardins para revitalizarem a pracinha já! Precisa-se de uma pintura. Muitas crianças hoje em dia tem alergia a umidade, mofo, fungo... as estátuas estão cheias de limo e fungo. Pedro, seu blog está fantástico! Não vi nenhum trabalho até hoje sobre a Sabóia como este! Parabéns! Adorei a publicação!

jorginho disse...

ola a todos, rua lindissima, muit o tranquila,principalmente nos tempos q andava de skate, carrinhos de rolima, jogava a bola ai na rua em frente ao castelo, ja la vao trinta e trez q saia dai dessa rua, morava nesse predio de 3 andares q aparece ai nas fotos, saudades dos vizinhos, dos amigos, rogerinho, da paula neta do sr lacerda, talvez tb do anonimo q postou tb, quem sabe alguem ainda se lembra do jorginho da d. iva, jogava poloaquatico no tijuca....., desde q vim moro em portugal, em braga, bem um abraço grande para todos q postaram e principalmente para os vizinhos

Rodrigo Phanardzis Ancora da Luz disse...

Estou morando no Rio há dois meses e meio e, ao ler sobre esta rua, fiquei com vontade de explorar as cachoeiras do rio dos Trapicheiros.

Um abraço a todos!

Anônimo disse...

Quem fez os bichinhos da pracinha foi o professor Paulo de Tarso. Morei na saboia lima por 27 anos e meus pais continuam morando la ate hoje. Quando criança me lembro de acompanhar a construção de muitos deles. O próprio Paulo, com recursos próprios, conservava a pracinha e construia os bichinhos. Me lembro ate de ter ajudado a pintar o escorrega dinossauro rsrs Hoje infelizmente a pracinha esta abandonada e por isso ja nao recebe visitantes como antes, ela vivia cheia de crianças. Ao final tem a reserva florestal, que nada mais eh do que os fundos da floresta da tijuca. Tem algumas pessoas que moram la dentro. Eh uma rua encantadora, vale a visita. A rua tem cancela pois muito antigamente alem de furtos por pivetes, a pracinha era lugar de vários despachos e "namoro indevido". Eh uma rua segura, a cancela ja existe a mais de 15 anos... e eh apenas para segurança, afinal a rua eh publica, todos sao bem-vindos.

Anônimo disse...

Parabéns pelo seu excelente trabalho Pedro Paulo Bastos!!!
Sou um morador da rua e me senti muito grato pelo carinho e pela atenção que tivemos.
Um forte abraço!
tuco

Anônimo disse...

morei aí muitos anos atrás, mas ouvi dizer que a rua Henrique Fleuiss está perigosa por causa da favela que la surgiu e que está afetando a R. Sabóia Lima também!! Espero que seja apenas um boato descabido...

carlos alberto disse...

Pedro,

Parabéns pelo seu trabalho.
Hoje moro em Recife, mas tenho uma casa na Rua Monsenhor Battistoni,A minha infância foi na Rua HenriqueFleiuss, 338, casa de meus pais.
Quando criança, pegava peixinhos na cabeceira do Rio Trapicheiros para por num lago na minha casa.
Minha juventude foi na esquina da Rua Sabóis Lima, onde tem o ponto de ônibus 409.

Para vocês terem idéia, nossa turma de esquina formada por moradores do local e outros tijucanos se reunem até hoje periódicamente para relembramos fatos da nossa infância e juventude.
Realmente, é um lugar singular do Rio de Janeiro.

Quanto a pracinha dos bicinhos foi feita pelo professor Paulo de Tarso, morador daquela casa dafoto do final da rua em cor de barro.
Meu nome é Carlos Alberto e meu apelido de infância que carrego até hoje é SORRISO.Abraços.

Sabine disse...

Caro Pedro,
eu sou neta do Hans Klussmann,
ele abriu a rua nos anos 1920.
Me criei na Saboia Lima e me minha mãe morou lá até falecer em 2011,
fiquei muito feliz com seu trabalho.
Abraço Sabine

Salim Haber disse...

Pq não há estudos sobre o Castelo da viúva no fim da rua Monsenhor battistini ?

Davi Luiz disse...

Olá! Lendo sua matéria fiquei muito interessa em conhecer a praça com minha família. Lá tem lugar para estacionar?
Abraços

Anônimo disse...

Olá,
venho há algum tempo notando um aumento de luzes dentro do terreno da CEDAE no final da rua Saboya de Lima. Recentemente me contaram que pessoas estão reconstruindo casas que eram dos seus parentes que trabalharam lá, pelo que sei isso não poderia e será que alguém está controlando as construções dentro de uma área do Parque Nacional da Tijuca.

Salim Haber disse...

Esse país todo mundo faz o que quiser. Sem lei, sem porra nenhuma. E vc preocupado com isso?