
Os sub-bairros no Centro da cidade
Os casos mais comuns são o da Lapa e do Bairro de Fátima, sub-bairros do Centro, e muito confundidos. O Bairro de Fátima vem sendo cada vez mais esquecido, tanto que nem aparece nas placas de trânsito – a não ser em uma linha de ônibus que circula pelo Centro, a linha 010-A (Bairro de Fátima X Central). A Rua Riachuelo e proximidades, como as avenidas Nossa Senhora de Fátima e Das Graças, as ruas André Cavalcanti e Tadeu Kosciusko e a Praça Almirante Jaceguai. Próximo do Bairro de Fátima, trechos das avenidas Gomes Freire e Mem de Sá, as ruas Joaquim Silva e Mosqueira, por exemplo, já podem ser consideradas como pertencentes ao sub-bairro da Lapa, embora todas sejam comuns ao Centro da cidade.
Outro caso bastante importante é o do Castelo: a região, inserida no bairro do Centro, é conhecida por ter abrigado, no passado, o Morro do Castelo, desmontado nas primeiras décadas do século XX. Logo, as ruas ali construídas no local do morro passaram a ser conhecidas como Castelo. São algumas delas: as avenidas Presidente Wilson, Calógeras e Antônio Carlos e ruas como a Santa Luiza e México. A Cinelândia eu também chamaria de um sub-bairro, quase micro, compreendido pela Praça Floriano e algumas poucas ruas ao seu redor.
Na região central, vale a pena também ressaltar que Cidade Nova, Catumbi, Estácio, Saúde e Gamboa não são sub-bairros, mas sim bairros legítimos. Por outro lado, Largo da Carioca, Praça Mauá, Praça XV, não são sub-bairros; apenas logradouros. Tem carioca à beça que se engana com isso...
Confusão tijucana
Eu diria que somente um verdadeiro tijucano, isto é, o morador da Tijuca, que entende, de fato, a disposição geográfica do bairro. É bem complicado mesmo: o bairro é extenso, populoso e povoado, e, ainda por cima, cheio de história. Logo, são inúmeros sub-bairros. Os exemplos mais famosos são o da Usina e o da Muda (foto ao lado da Praça Xavier de Brito, na Muda). Não sei ao certo dizer se outrora foram bairros, de fato; na minha concepção, são sub-bairros da Tijuca que eram bastante reconhecidos por caracterizar uma área de residências luxuosas neste pedaço da Zona Norte, privilegiados pelo clima ameno do verde próximo da Floresta da Tijuca, lá pro final da Rua Conde de Bonfim, na subida para o Alto da Boa Vista. Os anos passaram, as favelas cresceram e as referências para estes sub-bairros caíram em conceito. Hoje são apenas topônimos e nomes principais de alguns itinerários de linhas de ônibus, como as linhas 413 (Muda – Jardim de Alah) e 229 (Usina – Castelo).
Praticamente desconhecido do grande público, a Aldeia Campista é um sub-bairro que não pertence à Tijuca, mas sim à Vila Isabel. Aliás, Vila Isabel e Tijuca são bairros diferentes (tem gente que insiste em confundir!). Assim como Grajaú, Andaraí, Maracanã e Praça da Bandeira são bairros legítimos.
E na Zona Sul?
Na Zona Sul do Rio também existem alguns exemplos bastante famosos. Eu consideraria o mais famoso deles o caso do Arpoador, que é o nome de uma praia e que, com a badalação social e a importância na mídia, transferiu também seu nome a um conjunto de ruas próximas, que pertencem ao bairro de Ipanema, logo na divisa com Copacabana. Ruas como a Francisco Otaviano, Joaquim Nabuco, Gomes Carneiro, Francisco Bhering, podem ser consideradas como parte do Arpoador.
No Jardim Botânico, tem-se o sub-bairro do Horto, localizado na subida da Rua Lopes Quintas; no Leblon, o Jardim Pernambuco e o Alto Leblon, áreas residenciais situadas à margem da Avenida Visconde de Albuquerque; na Lagoa, a Fonte da Saudade, compreendida pelas ruas Fonte da Saudade, Sacopã, Baronesa de Poconé, entre outras; em Copacabana, o Bairro Peixoto, situado lá no início das ruas Santa Clara e Figueiredo Magalhães, na altura do Túnel Velho; entre Botafogo e Laranjeiras, existe um sub-bairro conhecido como Mundo Novo, que é formado por um conjunto de ruas elevadas e que fazem a ligação (sinuosa) entre estes dois bairros.
Agora você deve estar se perguntando: e o Largo do Machado? Assim como o Largo da Carioca ou o Largo da Segunda-Feira, o Largo do Machado é uma praça. Um logradouro. Faz-se confusão pois não saberíamos definir em que bairro, exatamente, ele se situa, pois se for feita uma análise detalhada dos mapas oficiais, será percebido que ele encontra-se na confluência dos bairros do Catete, Flamengo e Laranjeiras. Devido a isso é que se tem o costume de chamar tal largo e as ruas adjacentes como ser pertencessem à uma região independente, conhecida, claro, por Largo do Machado.
Zona Norte e áreas suburbanas
A área da Zona Norte do Rio de Janeiro é vasta e possui uma malha rodoviária bastante interligada – quase nos moldes paulistanos – contribuindo, então, para o aparecimento de muitos sub-bairros.
No Engenho Novo, por exemplo, existia um sub-bairro conhecido como Consolação, no trecho da Rua Barão do Bom Retiro entre a Avenida Menezes Côrtes (Grajaú – Jacarepaguá) e a Rua Araújo Leitão. Pouca gente sabe disso! O final da Rua Aquidabã, no Lins de Vasconcelos, é conhecido como Boca do Mato, pois existia, de fato, um mato naquele local. Era também ali onde havia a Escola da Samba Aprendizes de Boca do Mato, primeira escola do sambista Martinho da Vila. Entre o Méier e o Engenho de Dentro, por exemplo, mais especificamente no cruzamento das ruas Dias da Cruz e Adolfo Bergamini, é conhecido como Chave de Ouro, nome de um bloco de carnaval que saía por ali toda quarta-feira de cinzas até meados da década de 70.
Outros exemplos de sub-bairros: Chácara Del Castilho, em Del Castilho; Magno, em Madureira; Triagem, em Benfica; Fazenda Botafogo, nas margens da Avenida Brasil e dos bairros de Acari, Barros Filho e Costa Barros; Mariópolis, em Anchieta; entre outros.
Em São Cristóvão, no ano de 1998, a região conhecida como Vasco da Gama, nos arredores do Estádio São Januário, passou a ser reconhecida de sub-bairro à bairro legítimo, representado oficialmente nos mapas da cidade.
Fontes:
Foto Lapa - http://www.rioconventionbureau.com.br/upload/galeria_cartoes/176%20Arcos%20da%20Lapa.JPG
Foto Arpoador - http://www.rentanapartmentinrio.com/arpoador_roca.jpg