
O título do post de hoje é curioso, mas faz sentido: a Praça Comandante Xavier de Brito, na Tijuca, é o ponto de encontro principal de muitos tijucanos que, em muitos domingões de sol, preferem curtir o dia na praça mais charmosa do bairro a ter que pegar o carro e ir às praias da Barra ou da Zona Sul. E o que essa praça tem de tão especial? Bom... Muitas coisas. O que eu posso antecipar é que ali é um dos poucos lugares da cidade do Rio de Janeiro onde ainda se preserva o costume antigo de alugar cavalos e charretes (à direita) para crianças e adultos nos fins de semana; tanto que é popularmente conhecida como a Praça dos Cavalinhos. Só isso, já é uma atração a parte, recheada de momentos alegres, principalmente se você estiver acompanhado de crianças. Os outros atrativos eu irei desvelando ao longo do texto...
Só para não fugir do meu hábito de localizar sempre no mínimo detalhe cada lugarzinho que eu fotografo, vale ressaltar que a Praça Xavier de Brito está situada na região conhecida como Muda, no bairro da Tijuca (Zona Norte do Rio), no quarteirão das ruas Pinto Guedes, Oliveira da Silva, Doutor Otávio Kelly e na confluência da Avenida Maracanã. No mapa é possível obter uma visualização melhor de como a praça se dispõe e das vias no seu entorno.
Antes de tudo, é importante dizer que a praça, obviamente, fica ali, paradinha, sem sair do lugar, normalzinha, diariamente. Todavia, é aos feriados e fins de semana que a Xavier de Brito “bomba” (à esquerda), digamos assim. Até por que o aluguel de cavalos e charretes, a característica principal desta área, só funciona em tais dias, então, o número de freqüentadores aumenta consideravelmente especialmente aos domingos, na parte da manhã, período exato de quando eu estive lá fotografando, neste último 23 de agosto. O número de crianças é nitidamente o mais alto. Os adultos e idosos também competem por um espaçozinho ali e acolá, embora a praça seja bem segregada: há o playground, com brinquedos em ótimo estado de conservação e resguardados em uma área reservada, que impede o acesso de mendigos durante a noite; os banquinhos de cimento, onde os vovôs jogam carteado, damas, xadrez, entre outros jogos; e diversos bancos espraiados ao longo dos diversos jardins que ornamentam este logradouro – espaço preferido dos papais e mamães, casais de namorados e das vovós, que ali se põem a descansar e tomar sol.

Parquinho da praça: os brinquedos localizam-se em uma área reservada, que impede a entrada de mendigos durante a noite

Crianças e adultos divertem-se na Praça Xavier de Brito
Chafariz da Praça Xavier de Brito: sua origem é francesa.
Entre árvores e jardins – sempre os principais protagonistas do meio urbano –, muitos elementos não passam despercebidos como, por exemplo, o chafariz da praça e o Teatro de Guignol (à direita). O primeiro, construído bem no centro da Xavier de Brito, é todo feito de bronze e é originário da França. Uma curiosidade é que ele fora construído para ser instalado em alguma praça da Europa, mas por algum motivo acabou vindo parar no Brasil e, desta forma, foi instalado ali no ano de 1960, servindo de fonte. Ele é diariamente ligado, embora, infelizmente, no momento do meu registro, ele estivesse desativado. Já bem perto do chafariz, outro ponto de interesse é o Teatro de Guignol, instalado na Praça Xavier de Brito como uma forma de resgate da história da cidade. O Teatro de Guignol é um marco do governo do prefeito Pereira Passos, no início do século XX, onde ele importou o estilo europeu não só para a arquitetura carioca, mas também para os costumes, a moda, o dia-a-dia e o Guignol representa muito bem este marco. Eles foram instalados, originalmente, em outros logradouros, como nas praças Saens Peña e Serzedelo Correia e no Jardim do Méier. Hoje em dia, pelo menos na Xavier de Brito, o teatro voltou graças ao patrocínio da iniciativa privada, e, em datas festivas, ocorrem grandes apresentações de fantoches ao público.
Jardins da Xavier de Brito
1. Jardim | 2. Busto do Cmt. Xavier de Brito: o cadete que originou o nome à praça
Fazendo parte da diversão e do entretenimento da Praça Xavier de Brito, a parada final, para aqueles que estiveram brincando com os filhos a manhã inteira e/ou curtindo as delícias da praça – ou até mesmo a parada inicial, para aqueles que acabaram de chegar, seja de carro ou a pé ali, por volta da hora do almoço –, é puxar uma cadeira e saborear o chopp e o bolinho de bacalhau do restaurante O Rei do Bacalhau (foto à direita), bem de frente para o arvoredo. O estabelecimento é ponto tradicional para os almoços de domingo das famílias da Tijuca, seja nos petiscos ao lado de fora, seja nos pratos bem servidos da culinária lusitana no salão interior do restaurante.
Com comércio praticamente inexistente – com exceção de lojinhas de pequeno porte e do restaurante O Rei do Bacalhau, citado no parágrafo anterior –, a Praça Xavier de Brito é basicamente uma área residencial e de muita tranqüilidade (confira nas fotos). O espaço é compartilhado por casas, edifícios novos e antigos, sendo todos eles muito charmosos e elegantes. Inclusive, é impossível não comentar sobre a beleza e a imponência do edifício situado no número 15 da Rua Oliveira da Silva (veja a foto abaixo, à esquerda). Sempre quando eu estou na Xavier de Brito, dedico parte do meu tempo ali a admirar este belo imóvel e não me canso.
Os azulejos, as janelas, o jardim, a escadaria fazem do edifício Imola – seu nome – em um dos prédios mais bonitos que eu já tive a oportunidade de ver. É claro que gostos cada um tem o seu; um amigo meu, por exemplo, acha este prédio extremamente sem graça e dá mais valor às arquiteturas recentes, típicas destes grandes lançamentos imobiliários. Enfim... As fotos falam por si só e, independente das preferências, é inegável a beleza do prédio. Sinto-me remetido a uma época que eu nem sequer vivi, mas é como se fosse-me concedida uma chance de sentir o clima típico das décadas de 50 e 60. Sensação incrível de nostalgia!

Mais do Edifício Imola, na Rua Oliveira da Silva: tenho ou não razão em dizer que ele é belo?


1. A escadaria do edifício, que dá acesso à portaria | 2. Entrada e saída de carros, estando à esquerda a entrada de serviço | 3. Calçada da Oliveira da Silva, com destaque para o jardim do Edifício Imola

Bem próximo dali, na esquina da rua Pinto Guedes com a Avenida Maracanã, localiza-se outro imóvel de bastante importância na área: a Escola Municipal Soares Pereira (à esquerda). Tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural do Rio de Janeiro, ele foi construído no fim da década de 20 pela família Soares Pereira. Após a morte do patriarca, a esposa cedeu o imóvel à Prefeitura com o fim de abrigar uma escola com somente o Ensino Fundamental. A fachada do imóvel seria mais apreciável se não houvessem as pequenas pichações.


1. Passeio em cavalo, na praça | 2. Panorama do final da Avenida Maracanã, tendo à direita a Escola Municipal Soares Pereira | 3. Arvoredo na Xavier de Brito
Nos dias normais, a Praça Xavier de Brito fica bem mais sossegada; freqüentada apenas pelos moradores da área, cada qual no seu jogging, seja dia ou noite. Ou, então, freqüentada pelos vovôs e babás com crianças, em um ritmo bem menos frenético que o do fim de semana. Além disso, a visão que se tem dali para o Maciço da Tijuca, conforta até mesmo os mais revoltados com o processo de favelização – o panorama é limpo, bem verdinho, visual muito agradável e hipnotizante. É claro que as favelas existem e elas estão em grandes quantidades, principalmente nesta região da Tijuca; entretanto, este ângulo não nos permite avistar nenhuma delas e a sensação de nostalgia retorna e faz-me imaginar novamente: e o passado, como foi? Era possível o Rio de Janeiro ser uma cidade civilizada e maravilhosa, como o seu título ainda insiste em dizer? Tais respostas e sensações, eu, com os meus vinte e pouquíssimos anos, jamais saberei por mim próprio. Porém, se for para imaginar, eu continuarei imaginando. E idealizo. Um pouco de fantasia não faz mal a ninguém!
Maciço da Tijuca, ao fundo, com as torres do Sumaré: mata limpa e verde. Que continue assim!
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