Mostrando postagens com marcador Art Déco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Art Déco. Mostrar todas as postagens

24.5.11

A rua é do Rio... mas fica lá em São Paulo!

Um passeio pela charmosa Rua Rio de Janeiro, localizada na capital vizinha

Rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo: prédios simpáticos dos anos 40 e 50 fazem parte do circuito

Para mim é impossível ir à cidade de São Paulo e não visitar, pelo menos por um pouquinho de tempo, as belíssimas ruas do bairro de Higienópolis, no centro da capital. A região destoa de todo aquele estereótipo de largas avenidas e prédios ultramodernos ostentado por São Paulo; pelo contrário, é um bairro pra lá de familiar, pequeno e com o melhor da "antiga" arquitetura. Uma mistura do bairro do Flamengo nos áureos tempos com a porteña Recoleta, em Buenos Aires. Agradabilíssimo. Parte das ruas de Higienópolis recebe o nome de estados brasileiros... foi aí que me deparei com a Rua Rio de Janeiro. Mesmo estando em São Paulo, não deixa de ser uma rua do Rio! (Ha!)

Edifício Barão de Loreto:
imóvel aí custa em média
R$ 1.244.389,13
A Rua Rio de Janeiro é constituída por edifícios de diferentes estilos arquitetônicos, embora muito iguais em charme. Mesmo os mais modernos, que são poucos, refletem toda a pompa ostentada por Higienópolis, berço da aristocracia paulistana. Árvores e pequenos canteiros ficam dispostos ao longo das muito bem niveladas calçadas, em intervalos bem definidos. Em alguns trechos, parte da calçada perde seu cimento para dar espaço a blocos de gramado que felizmente não portavam cocôs de cachorro. Uma observação interessante, não só dessa rua, mas como de muitas em São Paulo, é que elas contam com cestos metálicos de lixo em frente de cada imóvel. Ao invés daquelas sacolas azuis empilhadas no chão, acompanhadas de entulhos dispensados por nós, cidadãos, busca-se um critério pela organização da coleta do lixo, mesmo que não seja seletiva.

A Rua Rio de Janeiro nos arredores da Rua Pernambuco

Distanciando ainda mais da figura do típico-caótico trânsito paulistano, a Rua Rio de Janeiro é bem calminha, podendo-se até caminhar pela sua via se houver cuidado. Mas quase ninguém faz isso! Pareceu-me que o limite calçada-rua era bem respeitado, ainda mais naquela fria manhã de domingo ensolarado. Deve ser hábito comum dos moradores de Higienópolis caminharem e correrem pelas alamedas do bairro nos fins de semana. Pelo menos ao longo da Rua Rio de Janeiro, muitos iam-e-vinham devidamente agasalhados (mesmo!) em seus trajes de ginástica. Na falta de um calçadão, Higienópolis conta com o Parque Buenos Aires, bem próximo da Rua Rio de Janeiro, que acaba transformando-se em uma expansão deste através da Rua Piauí.

Horizonte sem prédios:
zona alta
Um dos grandes baratos de Higienópolis - e especialmente da Rua Rio de Janeiro - é por estar em uma parte bastante alta. Aliás, é bom reiterar que as ruas de São Paulo são formadas por altos e baixos, ladeiras por todos os lados. Como alguns prédios foram construídos no centro do terreno, ou, em outros, a entrada para garagem se dá pela lateral, tem-se uma bela vista do horizonte, bem azul, justamente porque ali é a parte alta. Aproximando-se, é possível avistar casas e prédios ao longe e em nível inferior, que é a região do bairro do Pacaembu, onde está o estádio de mesmo nome. O desnível entre as ruas pode ainda ser constatado pela Praça Esther Mesquita, que é quase uma espécie de "barranco" arborizado, separando a Rio de Janeiro da Rua Engenheiro Edgar Egídio de Sousa. O acesso entre os dois logradouros se dá por uma íngreme escadaria. 

 Praça Esther Mesquita, no final da Rua Rio de Janeiro: pausa para o descanso

Consideraria a parte mais agradável da Rua Rio de Janeiro o seu final, no encontro com a Avenida Higienópolis e a Rua Conselheiro Brotero. É ali onde a parte "utilizável" da Praça Esther Mesquita se encontra, cheia de mesinhas e cadeiras oferecidas, provavelmente, pela barraquinha de frutas. Bem ao lado, só que mais isolado, diversos aparelhos públicos de ginástica, destes novos, verdes, que a Prefeitura anda colocando em pontos estratégicos, mesmo aqui no Rio. É ali onde babás, em seus branquíssimos uniformes, remexiam seus sorridentes bebês nos respectivos carrinhos. A banca de jornal parece atender não só aos moradores da área, mas a quem quisesse parar por ali para ler uma revista ou jornal. Até água de côco estavam tomando! Bom... Parabéns para a Rua Rio de Janeiro... apesar de estar em São Paulo, ela bem que conseguiu fazer jus ao seu nome! 

 Rua Rio de Janeiro com Avenida Higienópolis. Observe que a sinalização das ruas ocorre de duas formas: na parte inferior, para pedestres, e na superior, para motoristas.

Veja mais fotos da Rua Rio de Janeiro, em São Paulo:

2.5.11

O centenário da Praça Saens Peña

 A Praça Saens Peña, na Tijuca, comemorou aniversário no último sábado (30/04) com uma bela exposição ao ar livre de fotos antigas do local

Uma das praças mais famosas da cidade do Rio comemorou seu centenário no último sábado, dia 30 de abril: a Praça Saens Peña. Em geral, a comemoração de aniversário de determinados logradouros nunca geram tanta repercussão fora dos bairros onde estão. Desta vez, com a praça tijucana, o negócio foi diferente - ganhou até caderno especial de 70 páginas do Jornal O Globo, com fotos antigas, análise arquitetônica, entrevista com antigos moradores, entre outras matérias compactas, embora não menos interessantes. 

Painel junto ao lago
Pode-se dizer que a Praça Saens Peña é um dos lugares da cidade que mais sofreu decadência em função do crescimento da insegurança urbana nas últimas décadas do último século. De lugar elegante, com as melhores e mais bem refrigeradas salas de cinema do Rio, a praça hoje virou mais um local de passagem do que de passeio. Os cinemas - entre eles, o Olinda, Metro-Tijuca, Carioca e América - transformaram-se em grandes lojas de departamentos, ou até mesmo em lojas daquelas mais populares. Restaurantes quase não se vêem mais, tornando o comércio bastante repetitivo: farmácias de um lado, óticas do outro. Por um lado, isso atrai a turma da terceira idade à Saens Peña, aos montes por lá, os principais consumidores deste trecho da Tijuca; por outro, sem opções de lazer noturno, a praça vira mais um lugar para camelôs, mendigos e baixa circulação de pedestres.

 Os pedestres param para admirar a antiga imagem dos antigos cinemas da praça. Na primeira foto, moça fotografa o interior do art-déco Cinema Carioca - hoje uma igreja; ao lado, o refrigeradíssimo Metro-Tijuca, prédio ocupado pela C&A atualmente.

Existe um movimento formado pela Associação Comercial e Industrial (ACIT) do bairro de promover a revitalização da Praça Saens Peña. Inclusive, cheguei a ter contato direto com os participantes do projeto, embora, por agora, eu esteja desatualizado em relação a como têm avançado o alcance dos objetivos. E acho também que foi graças à essa sinergia de resgate da memória da Tijuca como bairro tradicional do Rio, importante do ponto de vista cultural, que foi possível obter essa singela repercussão do centenário da Praça Saens Peña. 

 Pai e filha observam os peixes do tradicional lago da Saens Peña, enquanto a radialista Jussara Carioca apresentava seu programa ao vivo da praça para a Rádio Globo, ao fundo.

A construção do metrô
parece ter sido um caos, na
época. (Imagem reproduzida)
Quem teve a oportunidade de passar por lá, no sábado, deleitou-se com diversos painéis espalhados ao redor do lago da praça com imagens antigas da região. Como grande interessado em registros históricos da cidade do Rio, fiquei surpreendido com a quantidade de imagens raras e ampliadas, nunca antes vistas por mim. A mais curiosa é a que mostra a vista aérea da praça no dia da inauguração do metrô, em 1982. A Conde de Bonfim lotada e a praça, linda, sem grades e revestida por pedras portuguesas. Outro painel mostrava o saguão lotado do belíssimo Cinema Carioca, todo em art-déco, na esquina da Rua das Flores (oficial Major Ávila, no trecho). O cinema foi desativado no ano 2000 e desde então é, infelizmente, ocupado por uma igreja. 

A Rádio Globo parece ter sido uma das patrocinadoras do evento naquele sábado de manhã. A radialista Jussara Carioca, mais conhecida como a Juju, da Rádio Globo, apresentava seu programa diretamente da praça, rodeada de senhorinhas e senhores que ganhavam brindes nas brincadeiras promovidas pelo programa. Uma cena rara foi a quantidade de pessoas fotografando a praça, mais limpa e bem policiada. Senti também que os painéis provocavam um certo ar de nostalgia por quem os admirava. Não era difícil encontrar alguém suspirando pelo fechamento do cinema preferido ou do Café Palheta e da Sorveteria Tijuca.

 Um dos painéis mais interessantes mostra o cartaz promocional do governo Chagas Freitas para a inauguração das três estações tijucanas do metrô, em 1982: Afonso Pena, São Francisco Xavier e Saens Peña. 

 Enquanto a Conde de Bonfim segue com seu ritmo habitualmente frenético, dois senhores, tranquilíssimos, continuavam a divertir-se com as cartas. Ao lado, mais um ângulo do lago da praça.

O trânsito na Conde de Bonfim
O post de hoje pode ter sido um pouco puxa-saco, afinal, tijucano que se preza, como eu, quer sempre ver o bem do bairro em que vive. A questão é que, de fato, a Tijuca guarda muita história, que veio sendo severamente maltratada ao longo dos anos. Prédios e casas belíssimas sofreram a intervenção de gente mal entendida no assunto para puros fins lucrativos; lojas bastante tradicionais, que representavam muito bem o dia-a-dia do tijucano, foram para o beleléu; os cinemas de rua, coitados, não conseguiram competir com o conforto dos shopping centers. Preciso procurar a fonte de onde li isso, mas, na década de 60, um apartamento na Rua Homem de Melo, poderia custar o mesmo que um na Nascimento Silva, em Ipanema, o que mostra o quanto o bairro decaiu em função da violência, entre outros inevitáveis problemas econômicos que assolou a sociedade brasileira.



 Dois outros visuais típicos da Praça Saens Peña - a movimentada Rua General Roca, que hospeda uma das entradas para a estação do metrô. 

 A Tijuca foi tão 'particularmente particular', se me permitem a expressão, que impressiona a quem mora e/ou visita pela sua descaracterização. Acho que um projeto de revitalização da Praça Saens Peña, como o que tem sido promovido pela ACIT, pode ser fundamental para o resgate, não só cultural, mas de identidade de uma região que continua tendo muito potencial e localização estratégica. Os índices imobiliários não me negam. De qualquer forma, espero que a Saens Peña tenha a mesma sorte que a Lapa teve em sua recuperação, assim como a Zona Portuária terá, entre outros exemplos aí pela cidade.


Conde de Bonfim: a rua com cara de avenida que margeia a Praça Saens Peña.

25.4.11

Avenida Rainha Elisabeth: a rua que é pomposa até no nome

Na Avenida Rainha Elisabeth, tudo é pomposo: desde o seu nome até os edifícios e casas levantados por lá, incluindo aí a sua nobre localização, entre Copacabana e Ipanema, bem pertinho do Arpoador, na Zona Sul da cidade. Vale lembrar que ela é do início ao fim protegida pela orla - começa na Praia de Copacabana terminando na de Ipanema. Privilegiada, não?

Mapa da rua fotografada e o seu entorno, na Zona Sul do Rio

Mas não só de pompa ela vive. A Rainha Elisabeth (a avenida, e não a rainha!) também provoca sensações de alívio no dia-a-dia, principalmente para quem se direciona para Ipanema e Leblon nos dias úteis, bem na hora do rush. Tudo bem que com o BRS da Barata Ribeiro e Raul Pompéia o trânsito vem melhorando na região, o que não impediu de apagar da memória o sufoco que era pegar todo o caos da Barata Ribeiro às seis e tanta da tarde e o alívio provocado ao ver o seu ônibus (ou carro) conseguir entrar à direita, na Rainha Elisabeth. Significa "escape", "reestruturação da paciência", "fim do estresse", entre outras formas de expressão.

O cruzamento com a Raul Pompéia
Tanto é uma avenida de passagem entre duas regiões que muitos nem percebem com detalhes os seus monumentais edifícios e jardins. Até porque muitos pedestres preferem fazer a conexão Copa-Ipanema através da Rua Francisco Otaviano, restando à Avenida Rainha Elisabeth o fluxo de automóveis e moradores. Não exatamente só de moradores; por ali circulam muitos gringos, arrastando suas malas pelas calçadas de pedras portuguesas, enquanto outros entram e saem do restaurante Broth, quase na esquina com a Canning, já no território ipanemense. É fácil identificá-los como gringos simplesmente pela quase ausência de cor de pele, se não fosse pelo vermelho do sol. Aliás, os gringos são uma marca de Ipanema. Não há como pensar em Ipanema sem não associá-los. Copacabana hoje é menos "gringa" e mais turística. Isto é, engloba mais turistas de outras áreas do planeta que não sejam loiros-de-olhos-azuis do que a vizinha Ipanema.

Vista lateral do edifício Acary, localizado no Largo do Poeta

O charmoso edifício Oliveira
A Rainha Elisabeth é representantíssima do estilo art déco, entre outros edifícios maravilhosos dos Anos Dourados. Escadarias com corrimão de bronze, portarias luxuosas, mosaicos, venezianas... Encontra-se de tudo do que há de mais simpático na cidade, o que a torna um dos meus logradouros favoritos. O nome dos edifícios são fáceis de serem guardados, pela simplicidade e por, em geral, remeterem à algo histórico: Aquidabã, Piratininga, Rio Verde, Marcio, Itayã... O Acary é meu preferido, enquanto o Oliveira, no número 601, destoa totalmente dos demais. O Guia de Arquitetura Art Déco no Rio de Janeiro, organizado pela Prefeitura (Editora Casa da Palavra, 3ª edição, 2001), descreve:

"Obra singela com características balneárias. Os compartimentos de canto, voltados para 45º para uma hoje encoberta paisagem, sugerem uma intenção de visão ampla do horizonte que só os mirantes proporcionam. (...) Os frágeis guarda-copos das varandas, desprovidas de parapeitos de alvenaria, inspiram-se nos decks e passadiços de arquitetura náutica".

O busto do Rei Alberto
da Bélgica
Na esquina com a Rua Conselheiro Lafayete, o que talvez seja a fronteira entre os dois bairros que hospedam a Avenida Rainha Elisabeth, está um simpático largo. É bem ajardinado, possui uma filial do badalado supermercado Zona Sul, e ainda conta com um busto do Rei Alberto I da Bélgica, que visitou o Rio junto de sua esposa, a Rainha Elisabeth, em 1920. No entanto, a antiga Rua Doutor Pires de Almeida só se transformou em Avenida com o nome da rainha dois anos depois, por decreto do então prefeito Carlos Sampaio (mais informações no blog Rio Curioso). Mesmo homenageando o Rei Alberto, o largo tem como referência é Carlos Drummond de Andrade. O Largo do Poeta foi inaugurado em 1990 e leva, em suas pedras portuguesas, algumas das frases mais célebres do poeta. Só para constar: é ali onde está o luxuoso edifício Acary, como vocês verão nas fotos. 


Clique em "Menu" e, logo após, em "View Fullscreen" para melhorar a visualização das fotografias. Terminando, aperte a tecla "ESC" para retornar ao blog. 
 
Mesmo com toda a pompa, a avenida não consegue fugir dos terríveis cocôs de cachorro. É um mal que amedronta toda a cidade, de norte a sul. É impressionante! Andar por ali requer cuidado com a sola do sapato. Não me esqueço até hoje de uma inteligente placa instalada na pequena Rua Goethe, em Botafogo: "Recolha as fezes do seu cachorro. O animal é ele, não você!". Outra associação bastante original foi a dos moradores do Flamengo, em uma certa ocasião: "Cocô só Chanel". Apesar da bosta espalhada, algo passa a ser mais sufocante do que o citado odor: a vista da praia de Ipanema, com o Morro Dois Irmãos, chegando ao final da Rainha Elisabeth. Ok... Incluo aí também as meninas de biquini que passeiam pela Vieira Souto, em bicicleta ou a pé... Paisagem sufocante... Céus!...

16.4.11

Rio nos Anos Dourados + Art Déco bem ali, na Cinelândia

Av. Delfim Moreira, no Leblon, em 1960: lembra um pouco
Piratininga, em Niterói. Essa foto faz parte da exposição!

A dica vai para quem trabalha durante a semana no Centro, ou até mesmo para quem não trabalha e está sempre por lá, ou, também, para aqueles que se interessarem: desde o último 6 de abril, o excelente Centro Cultural Justiça Federal está com a exposição "Memórias da Cidade - Anos 1950 e 1960". Ela é toda baseada no acervo de fotografias da Agência O Globo, ocupando duas salas no primeiro andar do prédio. Todas as fotos são muito interessantes, mostrando bem a rotina do carioca nos Anos Dourados e o detalhes das ruas e praças, assim como da moda e do comportamento.

Apesar de ter curtido bastante a exposição, fiquei um pouco decepcionado por mais uma vez ter visto apenas fotos de regiões como a do Centro e a de Copacabana. Qualquer exposição ou livro que haja sobre o Rio Antigo, os organizadores insistem nesse clichê de só mostrar o Centro e partes da Zona Sul. Mas... tudo bem, perdoados! Posso compreender que não exista tanto material disponível de outras áreas, embora torça para ver, em uma outra oportunidade, fotografias da mesma época de Santa Teresa, Rio Comprido, Tijuca, São Cristóvão, dos subúrbios, e até mesmo da Lagoa com a favela da Catacumba ali na Avenida Epitácio Pessoa. E só duas observações: 1) a exposição é bem enxuta, vê-se tudo em menos de vinte minutos; 2) o folheto oficial da mostra traz todas as imagens impressas! Coisa para colecionador!

Mais uma informação... No mesmo lugar, dia 27 de abril, quarta-feira, acontecerá uma palestra ministrada pelo professor de História da Arte Carlos Medeiros sobre a presença art déco na arquitetura carioca, nas décadas de 30 e 40. Inclui-se aí projeção de vídeo das imagens de bens representativos do estilo em lugares específicos da cidade. As vagas são limitadas. 


---

"Memórias da Cidade", de 06.04.2011 a 22.05.11
Onde: Centro Cultural Justiça Federal
Endereço: Avenida Rio Branco 241 (estação Cinelândia do metrô) | Centro | CEP 20040-009
Horário: Terça a domingo, das 12h às 19h. Entrada franca.
Telefone: 0xx21 3261.2550

"A representatividade do acervo arquitetônico Art Déco na cidade do Rio de Janeiro" (palestra)
Quando: 27.04.11, quarta-feira
Informações: 0xx21 3261.2553
Vagas limitadas!

13.1.11

Sábado de sol, Rio Art Déco e Lavradio

Acordei numa daquelas manhãs divinas onde o meu quarto está repletamente gelado mas, pela janela, a sensação térmica parece ser outra. Abri bem a persiana e não vi nem sinal de nuvens sobre o Maciço da Tijuca. O ar condicionado tinha sido desligado há pouco tempo, continuava de meia e sabia que lá fora o negócio devia estar pegando fogo. Pra falar a verdade, eu não curto calor. Sinceramente? Não suporto o verão. Praia menos ainda. Mas bem que nesse dia cairia bem algum mergulhinho.

O prospecto da exposição sobre
a minha mesa
Cansado de passar os sábados dentro de casa por falta de coragem em sair à rua, fiz a programação sabatina na sexta-feira, dia 7. Já tinha decidido que iria visitar a exposição Rio Art Déco, que está sendo realizada no Caixa Cultural, no Centro. É um tema que me interessa e, inclusive, venho lendo mais sobre e tentado observar mais cuidadosamente esse estilo arquitetônico pelas ruas do Rio. A essa altura já era mais de meio-dia. Fernanda, uma amiga, ia para a praia e depois ficou combinado de que almoçaríamos juntos, já que há algum tempo não nos víamos.

Fernanda definitivamente gosta mais de praia do que eu e achei que o dia estava especialíssimo para ela curtir uma tarde nas areias de Ipanema. Ledo engano. Recebo uma ligação sua quando estava na cozinha, tomando os últimos goles de água antes de cair na rua.

"Desisti, está muito quente, não vai ter espaço pra ficar na areia...", avisou-me.

Convidei-a então para que me acompanhasse ao Centro. Iríamos à exposição e depois poderíamos subir Santa Teresa de bondinho, almoçar por lá ou, não sei... qualquer outro programa pelas redondezas. Ambos estávamos cientes de que um passeio pelo Centro, num sábado de 40 ou mais graus, seria quase uma cilada. Mesmo assim fomos, ainda que meu eu-lírico quisesse se enfiar numa sala de cinema refrigerada.

Eu e a Catedral
Partimos da estação Carioca do metrô rumo à exposição sob o sol forte da Avenida Chile quase sem nenhum movimento. Minto. Havia um auê ali perto em função das últimas gravações da novela Passione. Alguns curiosos se misturavam com turistas que visitavam a Catedral. Meio desorientados, não encontrávamos o tal do centro cultural, onde funciona também o Teatro Nelson Rodrigues. Meio que num ziguezague, encontramos a entrada e subimos (de escada... tortura!) até o 3º andar do prédio, onde estava exposto as maravilhas do Art Déco no Rio.


Exposição pequena, mas recomendo a visita para aqueles que se interessam. Ela é basicamente constituída de fotografias, de autoria de Lena Trindade. Fotos e painéis muito bons, por sinal. Sou um grande apreciador do Art Déco, embora ainda não saiba detectá-lo muito bem sem aviso prévio. Vi muitas referências interessantes entre outras meio manjadas, como o edifício Biarritz, na Praia do Flamengo, e o cinema Roxy. O mais legal da exposição são as fotografias no interior de determinados prédios. É fantástico o detalhe de um corrimão ou do desenho de uma grade... Senti falta de referências off Centro-Zona Sul, embora, como um todo, valeu bem a pena. 

 Placa turística na Rua do Lavradio

Fernanda pechinchando
um óculos retrô
Contraste do novo
com o velho
Eu suava muito, Fernanda idem. Avistamos de longe a Rua do Lavradio pela Avenida República do Paraguai, que passa por cima da Chile. Ficamos na dúvida entre subir Santa Teresa ou ficar ali por baixo mesmo... Optamos pela opção mais prática, primeiro porque a fome apertava e, em segundo, porque estava rolando a feira da Lavradio. Acho que ela nunca tinha ido, não lembro de ter me dito isso, mas estava mais curiosa do que eu. O melhor da feira é o movimento pois dá muita gente diferentona, além de gringos. De compras ali há muito artesanato e produtos de brechó, mais voltados para o público feminino. Em algumas barracas vendem-se objetos relacionados ao Rio antigo, como ímãs, caixas e até mesmo fotografias.

A Rua do Lavradio é um barato e vem sendo revitalizada continuamente. É uma das principais ruas na Lapa, sem falar no seu interessantíssimo (e cruel) contraste arquitetônico. Aqueles sobrados e casas antigas se misturam aos prédios modernos e espelhados que andaram construindo por lá na última década. É uma pena que não haja critério de construção em áreas históricas como o Centro. Enfim... a feira do Lavradio é muito musical, tem muito samba e comidas brasileiras. As pessoas almoçam animadamente em mesas colocadas no meio da rua mesmo sem se sentirem incomodadas. A Rua do Lavradio, em dia de feira, parece ser uma grande festa. E é. 


 Na feira do Lavradio, os almoços são feitos no meio da via em meio a muitas pessoas, barraquinhas e história.

Andamos em direção à Mem de Sá já um pouco cansados. O sol suga as energias. Queríamos comer feijoada. O único lugar de cara que tinha era o Informal, já lotado pelo sambinha ao vivo que reinava na sua entrada. Fome, fome, fome. Acabamos ficando no Belmonte com dois chopes logo de cara. O prato foi um tal de filé ao Oswaldo Aranha. Raramente como carne vermelha, mas acabei cedendo. Acompanhava batata portuguesa, arroz, farofa e molho à campanha. Mais dois chopes. Caiu redondo, literalmente. A barriga inchou e a preguiça veio na mesma hora. 

E o calor??!? Mais forte do que nunca. Já eram 5 horas e acabamos terminando o fim do sábado no Shopping da Gávea, em busca de ar condicionado. É a melhor invenção dos últimos tempos! Mas... Rio de Janeiro só é muito bonito e encantador com calor e muito sol. Sábado foi o dia. Fiquei satisfeito! 


O movimento da Mem de Sá através da nossa mesa, no Belmonte

Exposição Rio Art Déco, de 17.11.10 a 30.01.11
Onde: Caixa Cultural Rio de Janeiro - Grande Galeria
Endereço: Avenida República do Chile 230, Anexo | Centro | CEP 20031-170
Horário: Terça a sexta, das 10h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 14h às 18h. Entrada gratuita.
Telefone: 0xx21 22625483 / 22628152
Site: www.caixacultural.com.br

Feira da Rua do Lavradio
Quando: Todo primeiro sábado de cada mês. 

Boteco Belmonte 
Endereço: Avenida Mem de Sá 82 | Lapa | CEP 20230-152.
Horário: De domingo a quarta, das 10h às 1h. Quinta a sábado, das 10h às 4h.
Telefone: 0xx21 22242169

Site: www.botecobelmonte.com.br
Filiais também em Ipanema, Leblon, Urca, Copacabana, Jardim Botânico e Flamengo.