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22.4.11

O nosso Ibirapuera

Injustamente a Quinta da Boa Vista é conhecida (ou prejulgada) como "parque de pobre", "de suburbano", ou qualquer outro termo que refira à algo fora da moda e do sofisticado. Besteira das grandes! Como já havia dito, no Rio de Janeiro, a cultura do parque é pouco valorizada em função da praia, que aquece e refresca os corpos mais necessitados nos dias de calor que nos são comuns. Existe aquela coisa também do que "está fora da Zona Sul" não é bacana - é feio, pouco seguro e cafona. Se é assim que a classe formadora de opinião pensa, estão perdendo! A Quinta da Boa Vista é agradabilíssima, linda e relaxante.

Mapa do entorno do parque
Há tempos que não entrava lá. Logo na entrada, surpreendi-me ao ignorar a história do lugar contada em diversas placas ao longo de suas alamedas. Projetada pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou (mais popular como Glaziou, como a rua de mesmo nome, em Pilares), o jardim da Quinta da Boa Vista é cheio de curvas sinuosas, altos e baixos, lagos - onde se pode remar e andar naqueles pedalinhos em formato de cisnes. Há também uma pequena, estreita e pitoresca ponte de madeira sobre um dos lagos, além de grutas artificiais. Um dos monumentos que mais se destacam na Quinta é o Pagode Chinês, construído em 1910 e restaurado há pouco tempo, em 2009, já na gestão do prefeito Eduardo Paes. O seu acesso se dá através de suaves degraus margeados por pedras. Era de fato o lugar mais disputado!

Devido ao desnível entre as alamedas, diversas famílias e grupos de amigos se esticavam em grandes toalhas e cangas pelos gramados - lotados de formigas, por sinal. Eu e Fernanda, que me acompanhava (e a quem agradeço pelas boas fotos!), fomos picados de leve, o que não nos tirou o humor. Sem nenhuma cerimônia, cestas, tupperwares e até panelas eram abertas por ali, dando início ao picnic bastante familiar. Acho que só fiz picnic uma vez na vida, em Paquetá, quando criança. Depois, nunca mais. Pelo o que vi pela Quinta, os visitantes adeptos a isto pareciam ter experiência, já que traziam quase a cozinha inteira de casa. Bom... era mais como forma de ajeitar tudo da melhor forma possível no final, sem deixar sujeira, do que simplesmente festejar ou causar balbúrdia. O ambiente é bem familiar, eu garanto!

Por trás do belo casario onde funciona o Museu Nacional, há uma alameda gastronômica bastante da popular e típica. São diversas carrocinhas de cachorro-quente, churrasquinho, doces e balas, entre outros sanduíches. Sem contar os isopores cheinhos de gelo e refrigerantes - nesse dia me resfresquei com um guaraná natural dos meus preferidos! Muitos artistas de rua se embrenhavam em meio aos brinquedos coloridos de plástico vendidos por simpáticos ambulantes, enquanto famílias inteiras pedavalam aqueles bicicletões típicos da Avenida Atlântica aos domingos. 

Contabilizando... passamos 3 horas e alguns minutos lá, assim, de bobeira, sem pensar na vida, curtindo, relaxados, o frescor de um lugar pouco divulgado e de tão fácil acesso. Fica a dica, meu amigo - a Quinta da Boa Vista é o nosso Ibirapuera. 

Quinta da Boa Vista
Entrada pela Rua General Herculano Gomes ou pela Avenida Rotary Internacional.
Metrô/Trem: Estação São Cristóvão.
Alguns dos ônibus que passam por ali ou perto (Radial Oeste): 434 (Grajaú-Leblon), 435 (Grajaú-Gávea), 436 (Grajaú-Leblon, Via Rebouças), 460 (São Cristóvão-Leblon), 461 (São Cristóvão-Ipanema), 463 (São Cristóvão-Copacabana), 232 (Praça Quinze-Lins), 247 (Camarista Méier-Passeio), 249 (Água Santa-Carioca), 254 (Praça Quinze-Madureira), 268 (Praça Quinze-Rio Centro), 284 (Praça Seca-Tiradentes), 665 (Saens Peña-Pavuna).

23.3.11

"(...) o bairro das Laranjeiras, satisfeito, sorri..."

 A vista da Rua General Glicério no seu início, pela Rua das Laranjeiras, a principal da região.

Mapa do trecho
percorrido
A música "All Star", de Nando Reis,  também interpretada pela imortal Cássia Eller, retrata de forma curiosa como o bairro de Laranjeiras se sente no momento em que chega a personagem da canção para encontrar a(o) amada(o). "Aperto o doze que é o seu andar, não vejo a hora de te encontrar"... Desde segunda-feira, 21 março, que essa música não me sai da cabeça, principalmente porque estive no próprio bairro de Laranjeiras, aproveitando meu último dia livre antes de começar a trabalhar. Aproveitei para desbravar um pouco os detalhes da Rua Alice, do Largo do Boticário, da Rua Alegrete e da belíssima General Glicério. Passo tão batido por essa parte do bairro que não tinha ainda percebido como ali é interessante e bonitinho.

Restringi este post à Rua General Glicério porque, além de ser uma das ruas mais lindas da cidade, ela tem toda uma história. Até meados da década de 30 do século passado, a região da General Glicério era, na verdade, a antiga fábrica da Companhia de Fiação e Tecidos Aliança. Com a hipervalorização dos terrenos na Zona Sul e a "vontade" de expulsar a população operariada para os subúrbios, a fábrica foi desativada e ali construiu-se um conjunto de ruas bem desenhadas, quase em forma de condomínio, conhecida por Jardim Laranjeiras. Na parte "alta" da Rua General Glicério foram erguidos edifícios de gigantesco valor histórico e arquitetônico, separados um dos outros, rodeados de esplendorosos jardins.

 Subindo a General Glicério: a casa amarela, uma das poucas na rua invadida por prédios, funciona como creche.

Venezianas
Arborização intensa
No primeiro trecho, entre a Rua das Laranjeiras e o encontro das ruas Belisário Távora e Professor Estelita Lins, a General Glicério tem um ar meio de ruas de Copacabana. Aliás, Copa parece ser um pouco sombria, pela significativa quantidade de árvores dispostas em cada rua.  A General Glicério também é assim, bem arborizada e escura, com muitos prédios altos, milhares de janelas com venezianas e um considerável comércio no térreo destes mesmos edifícios bem ao início da rua. A loja especializada em laticínios, Normandia, parece ser bem tradicional na rua e no bairro.

A rua vai ficando mais feliz lá na esquina da Rua Belisário Távora, onde está a Escola Municipal Albert Schweitzer e uma placa de trânsito pequenina, indicando Botafogo para a direita. Cuma? Botafogo tá pra outra direção! Forcei o meu quebra-cabeça-cartográfico-mental em busca de alguma lógica para aquela indicação. Foi aí que eu lembrei que o morro Mundo Novo, de ruas pra lá de sinuosas, é bem perto dali e termina na Rua Assunção, bairro de Botafogo. Taí a alternativa de caminho!

Início do trecho mais bucólico da Rua General Glicério. A placa indica "Botafogo" à direita, mostrando a alternativa de caminho pelo Morro Mundo Novo.

Praça Jardim Laranjeiras
Mas peraí... nessa mesma esquina há mais coisas a serem apreciadas! Os prédios, até então totalmente retangulares, ganham linhas mais suaves e circulares, que obedecem ao contorno das ruas que os abriga. Em frente, a General Glicério ganha duas pequenas pistas com um canteiro central bem espaçoso, cheio de cadeiras, bancos e... carros estacionados! A praça em questão é a Jardim Laranjeiras, rodeada de edifícios simpáticos e um compacto comércio local, como farmácia, lavanderia e um restaurante-lanchonete. Isso tudo enfeitado com o vai-e-vem das linhas 183 e 184 da Intersul, antiga São Silvestre, intercalando o amarelo novato com o marrom-bege da lataria antiga.

 A Rua General Cristóvão Barcelos circunda a General Glicério que, a partir deste trecho, transforma-se em um lugar totalmente diferente em relação ao seu início.

Jardins da Gen. Glicério
Ah! Chegamos na melhor parte; quem conhece, sabe! As calçadas da Rua General Glicério, agora, ganham uma espécie de passarela coberto por um tapete de pedras portuguesas brancas e pretas, formando o símbolo de uma flor com quatro pétalas.  Acostumado com aqueles canteiros pequenininhos, miúdos e mixurucas, por ali os jardins são verdadeiros campos floridos cercados por grades charmosas, cheias de critério. O caminho para pedestres, a tal "passarela" descrita, é margeada por dois destes vastos jardins, separando os transeuntes do tráfego da via e da portaria dos edifícios. Embora o nome do bairro seja Laranjeiras, por ali tem-se muitas mangueiras, palmeiras, pinheiros, oitis, jacarandás e ipês-amarelos.

 Diversas espécies de árvores e plantas habitam a General Glicério. À direita, observe que os edifícios estão em um plano superior da calçada, protegidos por um jardim.

Edifício Paquetá
Edifício Timbaúba
Os edifícios deste trecho da General Glicério foram tombados até o ano de 2002. E não é para menos: eles são lindos! Este trecho da Zona Sul, aliás, é muito marcante para os admiradores destes tipos de prédios erguidos entre os anos 40 e 50. São altos, com escadas de acesso protegidas por corrimão de bronze; a entrada para a portaria é sempre um trabalho caprichado de arte que se faz ver pelo desenho do ferro, muitas vezes entrelaçado. A grande maioria está numa parte mais alta da calçada, conferindo um aspecto, obviamente, superior em relação à rua e ao pedestre que não é morador.

Embora estes edifícios sejam bastante intocáveis pela sua majestuosidade, ao longo dos anos, o térreo deles foi sendo compartilhado com alguns tipos de comércio relevantes para os moradores da rua. Um bar sem nome, caracterizado por uma placa aparentemente dos anos 80 do refrigerante Grapete; uma confeitaria, a Rainha das Laranjeiras, ao lado do edifício Triunfo; um brechó, laboratórios médicos, agências imobiliárias e, o mais destacado dali, a sofisticada loja de vinhos L'Orangerie, voltada para um público de maior poder aquisitivo.

A confeitaria Rainha das Laranjeiras é um dos comércios locais nesta parte de Laranjeiras. Mesmo com a imponência e "intocabilidade" dos edifícios, o comércio da Zona Sul parece não ter espaço suficiente nas ruas e, desta forma, proliferam-se no térreo dos prédios.

A Rua General Glicério termina no encontro das ruas General Cristóvão Barcelos e Professor Ortiz Monteiro, que fazem um círculo atrás dela (confira no mapa). Lá parece ser, de fato, o ponto final das linhas 183 e 184, que fazem o percurso entre a Central e Laranjeiras, agora com duas versões - uma expressa, que vai pelo Túnel Santa Bárbara, e a tradicional, que vai pelo Catete. A verdade é que eu sai estonteado de lá pois adoro esses recantos bucólicos no meio da selva que é a cidade grande. Se a General Glicério tivesse menos carros estacionados e menos cocô de cachorro em suas pedras portuguesas, seria perfeita. Mesmo assim, aludindo à canção, ao sair dali, satisfeito, sorri. 

7.3.11

Perdão pelo intrometimento, mas "Marechal" tem história...

Amplie a figura para uma melhor resolução

Primeiro de tudo, gostaria de pedir desculpas aos moradores da casa na foto acima. Ela fica na Avenida General Osvaldo Cordeiro de Farias esquina com Rua Brigadeiro Delamare, em Marechal Hermes, e é uma das casas originais projetadas exclusivamente para o bairro. Inclusive ela ainda conserva uma pequena placa escrito "Instituto da Previdência", o que comprova o seu caráter histórico e de extrema importância para a constituição do bairro. 

Foi com base nesses argumentos que eu resolvi "photoshopeá-la" no intuito de recuperar a sua fachada. Como vocês podem ver na foto real, o imóvel está muito mal conservado e descaracterizado. Na minha sugestão de recuperação da casa, devolvi as janelas originais para o segundo pavimento, repintei a fachada é claro e a reforma do telhado. Já no canteiro central da avenida, as pistas da borda, que margeiam a ciclovia, removi os fradinhos multicoloridos substituindo-os por vasos de plantas. A tal planta (mais conhecida como Dracaena Fragrans) talvez nem seja a mais apropriada para estar em um ambiente público como a rua... massss... ficção é ficção, então eu resolvi colocá-la por achá-la bonita – e também porque eu já dispunha da figura! 

Bom carnaval!!

31.1.11

Uma avenida dos sonhos

"Uma avenida dos sonhos
A imagem acima exibe uma Avenida Presidente Vargas na altura da Central do Brasil bem diferente do que vemos atualmente. Nesse exercício futurístico, a via teve a calçada ampliada com um pedaço de grama e ganhou uma ciclovia, uma linha expressa de ônibus não poluentes sobre trilhos e um bulevar coberto para a travessia dos pedestres. Concebido pelos escritórios cariocas Campo e Fábrica Arquitetura, o projeto faz parte da exposição As Cidades Somos Nós — Desenhando a Mobilidade do Futuro, a partir de quarta (2), no Centro Cultural Correios. A mostra tem organização da ONG americana Institute for Transportation and Development Policy e será realizada simultaneamente no Rio e na Cidade do México. Há trabalhos de dez países, focados em soluções sustentáveis para metrópoles — entre elas, Nova York e Buenos Aires —, com prioridade ao pedestre e ao transporte público."
por Rachel Stermann, Revista Veja Rio (02/02/11).

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As Cidades Somos Nós — Desenhando a Mobilidade do Futuro
Onde: Centro Cultural Correios, a partir de 02.02.11 
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí 20 | Centro | CEP 20010-976
Horário: O Centro Cultural Correios recebe visitantes de terça-feira a domingo, das 12 às 19h. Entrada franca.
Telefone: 0xx21 2253 1580
Site: www.correios.com.br