Nesses dois meses já de existência do blog “As Ruas do Rio”, as ruas fotografadas se limitaram, até então, às das zonas Sul, Norte e Central. Entretanto, para o post de hoje, trago fotos, pela primeira vez, da Zona Oeste do Rio, mais especificamente do bairro da Praça Seca, na região de Jacarepaguá. Por curiosidade, o nome original da praça é Barão da Taquara, mas devido ao nome do bairro, que se chama Praça Seca, este logradouro acabou sendo chamado popularmente de tal forma. E por que Praça “Seca”? Na verdade, o “Seca” do nome provém do nobre Visconde de Asseca, que colaborou bastante para a urbanização desta área da cidade. O “Asseca” acabou convertendo-se em “Seca” após muitas reduções e simplificações do nome desta região, que se chamava Largo do Visconde de Asseca, tornando-se Largo do Asseca, mudando para Largo d’Asseca, até chegar ao que é hoje.
Do ponto de vista geográfico, a Praça Seca (ou Barão da Taquara; chamarei de Seca, para facilitar a leitura) é cortada ao meio pela Rua Cândido Benício (foto ao lado), uma das principais vias de ligação entre as regiões de Jacarepaguá e Madureira, com trânsito bastante movimentado e, principalmente, comercial, neste trecho. Assim, a Praça Seca acaba sendo fatiada em duas partes, o que se pode deduzir que sejam duas praças, embora levem o mesmo nome. A Praça Seca também é contornada pelas ruas Barão e Baronesa, sendo esta última uma rua mais tranqüila, porém de igual importância à Cândido Benício, já que recebe o fluxo de trânsito originário do bairro de Vila Valqueire.
Para acompanhar a leitura do texto, guie-se pelos números e setas representadas no mapa acima.
1 - Como já comentado no parágrafo acima, a característica principal da Praça Seca é o comércio. Lojas de todos os tipos imagináveis convivem com o ruído de buzinas, freadas de ônibus e dos famosos carros de som. Um anuncia a promoção na venda de comésticos em uma loja próxima, enquanto outro divulga a programação das próximas apresentações de uma casa de espetáculos da Zona Norte. Trânsito intenso, fechamento de semáforos, pedestres correm para atravessar a larga rua e motoristas disputam vagas com as kombis na calçada, em especial nas esquinas das ruas Cândido Benício e Baronesa, onde há uma filial das Drogarias Pacheco (ao lado), bem grande e ampla.
Ainda neste trecho da Rua Baronesa, o comércio faz jus ao seu caráter diversificado. Em uma mesma calçada convivem uma perfumaria, uma pet-shop e ao lado, uma espécie de edifício comercial, bastante depredado pelas pichações, onde há uma auto-escola – a Chapeuzinho Vermelho – além de uma loja de fotocópias e clínicas médicas.
Algumas das árvores presentes na Praça Seca. Fotografei as que considerei mais destacadas...

Embora a luz solar penetre forte e intensamente, o território da praça é bem servido por árvores e jardins bastante bonitos. Aliás, mais uma vez as árvores continuam sendo os pontos altos das ruas em que eu fotografo, creio que sem elas a cidade não seria o que é, e, repetindo novamente, lamento por não manjar muito de botânica, pois poderia me alongar mais na descrição do verde presente na Praça Seca; como não o sou, mantenho-me apenas a admirá-las e fotografá-las As espécies de árvores não são muito variadas nesta área, embora em um passo e outro é possível surpreender-se com a coloração das folhas de uma, ou então com as flores de outra e, até mesmo, com o pinheiro instalado no terreno da Igreja Batista de Barão da Taquara (foto ao lado). É bom de se ver!
Entre as árvores e vastos gramados, a Praça Seca, neste parte, conta ainda com um playground de conservação duvidosa – assim de como muitas outras áreas de lazer do Rio –, além de bancos e mesinhas ao redor do Coreto, bem no centro da Praça e bastante semelhante ao famoso Coreto do Jardim do Méier, na Zona Norte. O Coreto da Praça Seca foi construído em 1928, tombado pelo INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico) em 1985 e restaurado em 1992, sem grandes modificações na sua aparência. Ademais, neste mesmo espaço, funciona também a Feira de Artesanato de Jacarepaguá, com muitas barraquinhas de produtos artesanais, tecidos, bolsas e flores (foto acima).
Trânsito engarrafado na Praça Seca
Um dos principais pontos de observação nesta parte da Praça é de como o trânsito flui mal; muitos automóveis e ônibus precisam contornar a praça e seguir pela esquerda da Rua Barão para se fazer o retorno de mudança de pista e esta acaba se tornando uma árdua tarefa na Praça Seca. O engarrafamento é certo, seja qual for a hora do dia.

1. Detalhe de edifício residencial na Praça Seca | 2. Loja da Nextel através de uma árvore
Ainda neste pedaço da Rua Barão, o comércio de maior atração é a Pizzaria e Chopperia Sorvetão Gourmet, restaurante de grande porte, bem na esquina com a Rua Cândido Benício. Outros serviços importantes nesta área é a filial do Banco do Brasil, situado em um imóvel bastante simpático e arborizado, na esquina da Praça com a Rua Baronesa; o prédio onde funciona a rede de telefonia Nextel, além da Escola Municipal Honduras.
1. Filial do Banco do Brasil, na Praça Seca esquina com Rua Baronesa | 2. Detalhe da fachada Pizzaria e Chopperia Sorvetão Gourmet com o semáforo e a placa de trânsito
1. Ônibus na Rua Cândido Benício, sentido Taquara/Barra | 2. Floricultura na Praça Seca
2 – Atravessando a rua e indo para a outra “fatia” da Praça Seca, a Rua Barão mantém o mesmo aspecto comercial variado da Rua Baronesa, instalados em imóveis, também, muito deteriorados e depredados, como o do Açougue Barão (foto à direita).
Na esquina da Barão com a Praça Seca existe uma filial da rede de supermercados Sendas (à esquerda) onde antigamente funcionava o Cine Ipiranga, um dos muitos cinemas de rua demolidos na década de 70. Nesta mesma calçada, há ainda uma outra escola municipal, a Dom Armando Lombardi, além de bancos, como o HSBC e a Caixa Econômica Federal. É ali também que funciona a Sede da XVI Região Administrativa de Jacarepaguá, no número 9 da Praça Seca, com o oferecimento de diversos serviços como carteiras de identidade, de trabalho, alistamento militar, etc., à população de Jacarepaguá. 
No interior desta parte da praça é possível notar que o mobiliário urbano é um pouco menos conservado do que a do outro lado da rua. Com jardineiras, bancos – com pessoas ao descanso neles (à direita)– e mais árvores do que o
outro lado, existe também, dentro de um contorno bem desenhado em um nível mais alto da praça, um equipamento de ferro com esguichos que, ligados, põem a funcionar uma espécie de chafariz (à esquerda, na foto) e que suponho ser muito bonito se estivesse ligado no momento em que eu fotografei. Há também, de um lado, o núcleo idoso da praça, com o jogo de cartas diário nas mesinhas de cimento sob a sombra de plantas trepadeiras, e do outro, um monumento greco-romano, no topo de um cone de cimento dentro de um canteiro de plantas.
Estátua greco-romana
1. Idosos jogam cartas sob a sombra de plantas | 2. Panorama da Praça Seca
1. Sede da XVI Região Administrativa de Jacarepaguá | 2. Filial do HSBC e a escola municipal Dom Armando Lombardi
De volta à Rua Baronesa (e ao ponto final da caminhada), junto ao característico amontoado comercial e de uns pequenos jardinzinhos, o destaque fica por conta da hoje Igreja Universal do Reino de Deus, onde até a década de 80 funcionou o Cine Baronesa, outro cinema de rua de grande importância desta área da Zona Oeste e que, infelizmente, não existe mais.
A Rua Baronesa, com destaque para a Igreja Universal do Reino de Deus, onde funcionou o Cine Baronesa
Mas é desta forma que a cidade segue, com perdas e ganhos, adaptando-se às necessidades da geração vigente, renovando-se sempre. Que os próximos tempos sejam melhores e, assim, desta forma, possamos receber mais e mais coisas boas para o nosso espaço urbano – seja resgatando aquelas antigas e nostálgicas, seja evoluindo conforme a tecnologia dessa nossa época moderna. Afinal, isso tudo é história. E histórias merecem ser repaginadas sempre, para termos o que contar no final. Um abraço!
FONTES DE PESQUISA
-- Site do jornalista e escritor Waldemar S. Costa sobre Jacarepaguá, Bento Ribeiro, xadrez e futebol.
-- Site "O Melhor do Bairro"; seção sobre a Praça Seca
-- Site do INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural)

















