Mostro-lhes a seguir dois materiais recentes sobre o tão criticado funcionamento do Metrô Rio, analisados sob óticas diferentes. O primeiro consiste no artigo "Problemas do metrô", publicado no jornal O Globo de 19 de abril de 2011, de autoria de Regis Fichtner, secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Estado do Rio. Posteriormente, acompanhe a reportagem produzida pelo telejornal RJ-TV 1ª Edição, que deu oportunidade à uma comissão de deputados estaduais e promotores de fazer o percurso entre as estações Carioca a Pavuna. Eles encontraram passageiros viajando apertados, em vagões com temperatura de 30ºC.
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Problemas no metrô, por Regis Fichtner (O Globo, página 6, 19/04/11)
O governo do estado decidiu solucionar os três principais problemas do metrô do Rio. O primeiro já foi resolvido: o fim da baldeação na estação Estácio, que resultou em maior comodidade e economia de tempo para os milhares de usuários da Linha Dois. O segundo já foi contratado: a aquisição de trens novos, o que não ocorria desde o início da operação do sistema metroviário. Quando chegarem, vão aumentar a oferta do serviço, dando maior conforto ao passageiro.
O terceiro é a expansão do sistema até a Barra da Tijuca, um sonho de todos os cariocas. Quando a Linha Quatro foi licitada, em 1998, o edital previu que ela iria do Jardim Oceânico até a Gávea, onde se ligaria com a Linha Um no local de melhor conexão, à escolha do vencedor. À epóca, a estação Arcoverde tinha acabado de ser inaugurada, motivo pelo qual a concessionária optou por fazer a interligação com a Linha Um através do Jardim Botânico até o Morro de São João, na metade do caminho entre Botafogo e Arcoverde, onde o passageiro teria que mudar de trem e pagar uma nova passagem - o que resultaria em uma tarifa de mais de R$ 10, certamente a maior do mundo.
Desde a licitação, passaram-se 12 anos. Ao assumirmos, o desafio de levar o metrô à Barra, buscamos atender a três premissas. A primeira, de fazer com que o passageiro possa viajar a qualquer outra estação pagando apenas uma passagem, no valor atual. A segunda, de fazer com que a ligação da Linha Quatro com a Linha Um seja feita na estação mais próxima, General Osório. A terceira, a de que o traçado seja elaborado levando em consideração o interesse do usuário. A previsão de carregamento pelo Jardim Botânico era de 120 mil passageiros/dia; a de Ipanema e Leblon é de mais de 240 mil passageiros/dia.
A ligação direta da Linha Quatro com a Linha Um se dará para evitar que os passageiros que se dirijam às estações além da General Osório tenham que fazer baldeação; para evitar que tenha que ser construído um centro de manutenção de trens às margens do Canal de Marapendi, causando danos estéticos a uma região privilegiada da cidade; e para dar maior flexibilidade ao sistema. A estação Gávea será construída e permitirá que futuros governos possam dar continuidade à expansão, fechando o anel do metrô, pelo Jardim Botânico.
A lógica do interesse do cidadão pautou as ações do governo. Teremos um metrô que passará por uma das regiões com maior problema de tráfego da cidade e que permitirá ao passageiro de Barra, São Conrado, Gávea, Leblon e Ipanema viajar para qualquer outra estação da cidade, sem a necessidade de baldeação, com uma tarifa única. Com o Bilhete Único, poderá ainda viajar em outro modal para outras partes da Região Metropolitana por apenas R$ 4,40. Que outro governo terá feito tantos investimentos em tão pouco tempo, com tantos benefícios ao cidadão?
Assista a reportagem produzida pela TV Globo para os noticiários locais a respeito do sufoco ao qual os passageiros são submetidos nos dias úteis.
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Meus comentários...
1) "O primeiro já foi resolvido: o fim da baldeação na estação Estácio, que resultou em maior comodidade e economia de tempo para os milhares de usuários da Linha Dois." Acabou mesmo? Nos fins de semana e feriados a baldeação volta a ser feita na estação Estácio. Se a Linha 1A é tão boa e eficiente, por que não foi mantida fora dos dias úteis? Vale lembrar que a estação Cidade Nova já foi inaugurada. Antes alegava-se que para agilizar as obras da estação, seria mais prudente interromper a Linha 1A.
2) "(...) A primeira, de fazer com que o passageiro possa viajar a qualquer outra estação pagando apenas uma passagem, no valor atual." e mais adiante "(...)Linha Um através do Jardim Botânico até o Morro de São João, na metade do caminho entre Botafogo e Arcoverde, onde o passageiro teria que mudar de trem e pagar uma nova passagem - o que resultaria em uma tarifa de mais de R$ 10, certamente a maior do mundo" A minha lógica é que serviços padronizados tenham o mesmo valor, principalmente no tocante ao transporte público. Os ônibus têm sua própria tarifa, as barcas idem, assim como os trens. Logo, não faz sentido uma determinada linha de metrô custar mais caro ao passageiro e/ou simplesmente não possibilitar a transferência gratuita entre as linhas que a cruzam. O serviço deve ser padronizado e integrado. Se as entrelinhas do contrato prejudicariam o lucro do Metrô Rio na construção da original Linha Quatro, não é o passageiro que deve sair lesado pagando mais caro, mas sim o Estado que deve intervir nessa situação até achar um ponto satisfatório para ambas as partes.
3) "A previsão de carregamento pelo Jardim Botânico era de 120 mil passageiros/dia; a de Ipanema e Leblon é de mais de 240 mil passageiros/dia.(...) A ligação direta da Linha Quatro com a Linha Um se dará para evitar que os passageiros que se dirijam às estações além da General Osório tenham que fazer baldeação (...);" É interessante ressaltar que essa média de 240 mil passageiros/dia no trecho por Leblon e Ipanema se junta à média diária monstruosa de passageiros que circulam pela já hiperlotada Linha Um. Incluir mais gente à este sistema é uma imprudência, uma falta de respeito com o cliente. Os trens já saem lotados das estações terminais e só entopem ainda mais conforme avançam os trilhos. Abortar a construção de uma nova linha em função da facilidade de se prolongar uma já existente - e que, por sinal, já é bem extensa - é bastante discutível. Não deveria ser tolerado, meus amigos.
4) " (...) para evitar que tenha que ser construído um centro de manutenção de trens às margens do Canal de Marapendi, causando danos estéticos a uma região privilegiada da cidade; Argumento pouco persuasivo. E mesmo que tivesse algum fundamento, demonstra o total descaso (ou preconceito) do Estado e do Metrô Rio com outras áreas da cidade, que sofreram verdadeiros danos estéticos com a intervenção deles. Exemplo? A Cidade Nova. Quem acha bonita aquela passarela abóbora da Presidente Vargas e o arco que passa sobre a Francisco Bicalho?
5) "(...) e para dar maior flexibilidade ao sistema." Flexibilidade aonde? Pelo contrário, você fica mais inflexível. As três futuras linhas do metrô serão contínuas, é como se fosse um "linhão" com diferentes nomes de acordo com o trecho. Só vale como exceção o encontro da Linha Dois com a Um na Central, pois o passageiro tem a opção de seguir para dois diferentes sentidos. Levando em conta o diminuto trecho entre as estações Saens Peña e Central, a ideia de que o metrô carioca é um "linhão" pode persistir.
6) "A lógica do interesse do cidadão pautou as ações do governo." Gostaria de ver dados científicos à respeito da preferência da população. Quem visita os fóruns de internet sabe que a grande maioria desaprova a decisão do governo de fazer a Linha Quatro por Ipanema e Leblon. Quem mora no eixo Gávea-Botafogo também é contra. Até quem não é morador e trabalha nessa região agradeceria a iniciativa. A construção da linha original pode não atender ao tanto de gente que eles querem desatender, mas é uma medida fundamental para melhorar o trânsito entre o Centro e a Barra, principalmente dentro da Zona Sul.
7) "Que outro governo terá feito tantos investimentos em tão pouco tempo, com tantos benefícios ao cidadão?" Entendi o contexto da frase. Insere-nos num panorama onde nenhum governo faz nada, e o autor quis enfatizar justamente que o que ele participa, sim, faz. Entretanto, isso não é motivo para autoglorificações. Tais investimentos nada mais são do que parte do conjunto de obrigações do Estado, e não favores para os cidadãos.