O governo do Presidente Lula terminou agora, nessa semana, entrando para a história como a administração que mais ofereceu oportunidades às classes C e D no que chamamos de "inclusão social". Tal parcela da população passou a consumir bem mais do que antes.
Em conversa com amigos e em fóruns virtuais sobre bairros, estávamos discutindo sobre a mudança paisagística (e até funcional) de determinadas ruas e bairros em relação ao comércio nessa última década. Foi a partir dessas discussões que eu fui formulando algumas conclusões (particulares) sobre a influência da economia na dinâmica das ruas do Rio de Janeiro. Mas, antes de dar prosseguimento, gostaria de deixar claro que não tenho nada contra essa política econômica de inclusão das classes C e D, já que alguns amigos me mal interpretam. Tenho ressalvas quanto os meios para isso, mas prefiro pensar que poder de consumo equivalha a mais esclarecimento. Se assim for, tá ótimo.
Os pólos de comércio popular tradicionais e novatos
| O Mercadão de Madureira é conhecido como um pólo tradicional de comércio popular na cidade |
Agora estamos em 2011. Vamos supor que você seja um morador do bairro de Copacabana e que esteja precisando comprar porta-retratos por menos de R$ 5. Ou então você precise comprar, sei lá, blusas baratas para doar a um orfanato ou até mesmo para uso próprio. Você iria se deslocar para o Centro e Madureira em busca de compras mais vantajosas? Provavelmente não seria preciso. Na última década, a principal rua comercial da região, a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, atraiu um grande número de lojas populares que até então eram exclusividade dos bairros mais populares. Não há mais a necessidade de deslocamento.
O caso de Copacabana é curioso, pois sempre foi um bairro considerado da moda, o das lojas boas. De fato, ainda é um bairro de lojas boas e tradicionais (o que não quer dizer que sejam lojas caras!), mas de uns tempos para cá o seu perfil comercial deu uma modificada. São inúmeros letreiros de R$ 1,99, lojas de roupas muito, mas muito baratas, além dos grandes leões dos eletrodomésticos, como as Casas Bahia, Ricardo Eletro e Casa e Vídeo. O que era tradicional, não aguentou. A última a ter ido embora foi a Modern Sound, loja de discos na Rua Barata Ribeiro. Não se sabe o que vai virar, mas ali é um espaço perfeito para uma nova Americanas Express. Apostam quanto?
Na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, funciona uma feirinha de roupas em um galpão na esquina com a Rua Real Grandeza. A paisagem da rua, quanto mais vandalizada for - observe a fachada do prédio ao lado, pichada -, pode contribuir para a proliferação de um comércio mais popular. A crítica fica aos padrões de anúncio - o painel polui ou não o paisagismo?
Referências fora de Copacabana
Outros exemplos de antigos pólos comerciais, assim como Copacabana, que eram conhecidos pela qualidade de suas lojas, é a Rua Voluntários da Pátria, a Praça Saens Peña e o Méier. Mais uma vez ressalto que a qualidade a qual me refiro não quer dizer "luxo", mas simplesmente qualidade e tradição, seja de reconhecimento nacional ou mais provinciano. Em trechos da Voluntários da Pátria, mais especificamente nas proximidades da Rua Real Grandeza, o comércio é bem popularesco, com direito até a uma feirinha dentro de um galpão. A Praça Saens Peña perdeu a Casa Sian (tradicionalíssima na Tijuca) há pouco tempo para dar lugar a uma loja Bandeirantes. No caso do Méier, as lojas boas estiveram lá até a década de 90 - agora o grande barato da Rua Dias da Cruz é as Lojas Americanas e a C&A, pois de resto o nível está bem aquém do que um dia foi.
Antiga casa de show de prestígio, o Imperator, na Rua Dias da Cruz, virou uma "feira shopping". Veja que as lojas ao lado também se promovem com painéis nada discretos.
Sabe-se que este panorama se deve, especialmente, à expansão dos shoppings centers, que vou comentar no próximo post. Tem a questão da violência também. O interessante de se analisar esse assunto é sobre como as ruas e bairros vão sendo modificados, sob o ponto de vista paisagístico, de acordo como flui a economia. O perfil social de uma determinada rua traduz de forma quase exata como será esse ambiente urbano - se mais feio, se mais bonito, mais sujo ou limpo. O que eu vejo hoje é uma mudança de ocupações "sociocomerciais" no ambiente urbano carioca.
Na segunda parte, vou falar sobre os efeitos dos shopping centers sobre o comércio de rua e o perfil comercial dos bairros de classe média-alta. Dê sua opinião!



Um comentário:
que nostalgia!!!! veja bem: O santa clara 33 e 77, grandes pechinchas da moda, não tem nada com o bolsa família! e o e-bay e a venda de ching lings também não são obras nacionais!
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