30.9.09

"Metrô", por Fernanda Torres

Há uns quinze dias, um novo arrastão aterrorizou os banhistas do Arpoador. Testemunhas afirmam que uma parede humana avançou pela areia em direção ao Leblon simulando uma briga. Apavoradas, as pessoas correram para se refugiar na calçada e, na confusão, muitas foram roubadas. No dia seguinte ao ocorrido, li nos jornais o depoimento de um policial dizendo que o dia de sol surpreendeu as autoridades e a multidão ultrapassou em muito o contingente deslocado para garantir a segurança da orla. Em seguida, o oficial confessou estar cada vez mais difícil dar conta da ordem em Ipanema e no Leblon devido à quantidade crescente de visitantes que têm acesso às suas praias. Como alternativa, ele sugeria que as linhas de ônibus fizessem sua parada final no Flamengo, para encaminhar o povo para o Aterro, uma praia maior e com mais capacidade de abrigar tanta gente.

O testemunho do guarda me surpreendeu pela sinceridade. Afinal, não é politicamente correto coibir o direito de um mortal vir se banhar num mar que é de todos. Uma das graças do Rio é que seus grandes atrativos urbanos são democráticos, especialmente a praia. Não fica bem dizer que quem anda de ônibus deve descer no Flamengo e, se quiser gozar da paisagem de Ipanema, que pague um táxi ou caminhe até lá. Por outro lado, esse homem da lei está falando de uma realidade que enfrenta na pele: dar conta da zorra nos fins de semana cada vez mais populosos em uma cidade violenta como o Rio de Janeiro. A lotação na Prainha foi regulada, a Barra tem tamanho para ser democrática e Ipanema sofre com o aperto.

Se já está difícil agora, imagine depois, quando inaugurarem o metrô no bairro?! Se eu morasse longe da costa e tivesse a chance de pegar um trem refrigerado que me levasse até a mitológica vizinha da Princesinha do Mar, juro por Deus, desfilaria todo domingo na ciclovia.

As aglomerações humanas no Rio são quase milagrosas, se levarmos em conta o potencial violento existente em cada uma delas. Passei um réveillon em Copacabana há uns anos. Depois da meia-noite, resolvi molhar os pés no mar para garantir um bom ano e fiquei pasma com o zoológico urbano em procissão pacífica. Uma imensa roda de umbanda chamou minha atenção. Como era alta madrugada, muitos dos participantes já estavam caídos, mais pra lá do que pra cá, enquanto uma mãe de santo estoica insistia em fazer as honras da casa. Fiquei parada, meio hipnotizada pela cena da sacerdotisa cambaleante tratando de um homem desfalecido no chão. Ela dançava em volta dele e sugava o ar com a boca e as mãos, recolhendo para si tudo de ruim da pobre alma atormentada. Eu estava mal posicionada, entre os dois e o mar, e não deu nem tempo de reagir quando a mulher, depois de se carregar com os maus espíritos do coitado, se virou para as ondas de Iemanjá e descarregou com os braços as energias terríveis na minha direção. Só consegui balbuciar um nãããã…!!! Tarde demais. Servi de para-raios de defunto no primeiro dia daquele ano em que, era de esperar, nada correu muito bem. Jamais esqueci a cena, ao contrário de outras tantas noites de 31 de dezembro passadas em ambientes mais chiques e reservados. A mistura de classes e credos é um patrimônio da nossa cidade que deve ser preservado.

Um dos meus grandes choques na França foi ver a praia loteada com treliças baixas. Para ter direito a um quadrado era necessário adquirir um tíquete. Bastante asséptico e algo deprimente. Não troco a baderna do litoral carioca por uma tarde na Côte d’Azur, mas concordo com o policial que deveríamos criar regras de conduta. Sujeira tem de dar cadeia. Qualquer madame, da Zona Sul ou do subúrbio, que jogasse o saquinho de biscoito do ladinho onde está sentada deveria ser vaiada e espancada com vinte chibatadas na Praça General Osório, e qualquer turba que avançasse semeando o terror deveria pagar com o exílio. O problema é botar em prática.

FERNANDA TORRES é atriz e autora desta crônica, publicada na revista Veja Rio, do dia 2 de Setembro de 2009. A charge ilustrada no post também pertence à revista; link original aqui.

27.9.09

Avenida Olegário Maciel: o espaço do pedestre na Barra


O INÍCIO da Avenida Olegário Maciel, na esquina com a Avenida do Pepê. Ao fundo, a Pedra Bonita, desde o Parque Nacional da Tijuca.


Aproximadamente há um mês, saiu uma reportagem no editorial Rio do Jornal O Globo uma matéria bastante interessante sobre a Avenida Olegário Maciel, na Barra da Tijuca, por seu aspecto bastante particular dentro de uma região onde o predomínio de grandes shoppings e auto-pistas imperam a paisagem urbana. No entanto, tal logradouro diferencia-se de tal panorama justamente pelo seu clima totalmente acolhedor ao pedestre; seja com a existência de amplas calçadas, seja com o comércio de rua, que é bastante raro na Barra. Movido pelo interesse em analisar mais detalhadamente a dinâmica da Olegário Maciel, eu fui para lá e trago as fotos do local.


A OLEGÁRIO MACIEL é melhor caracterizada como uma rua comercial, com predomínio de restaurantes, como o Na Brasa Colúmbia (à esquerda). Alguns poucos edifícios residenciais são encontrados ao longo da avenida, que não se comparam com àqueles dispostos nas ruas internas; a Barra residencial é mais luxuosa.


Localizada na Zona Oeste do Rio, a Avenida Olegário Maciel se situa em uma região da Barra da Tijuca conhecida como Jardim Oceânico e/ou Tijucamar (veja o mapa ao lado), isto é, mais facilmente caracterizada por ser um pedaço da Barra onde “ruas e calçadas” existem (os pedestres sabem do que eu tô falando!) e os edifícios se resumem àqueles de poucos andares, e não necessariamente dentro de gigantescos condomínios. Eu nunca fui à Califórnia; porém, por comparações do que já foi visto no Google Street View, pode-se dizer que o Jardim Oceânico é uma Santa Monica do terceiro mundo. Ou um suburbiozinho norte-americano.


LOJAS DE PERFIS e serviços variados também fazem parte da Olegário Maciel. Na foto, lojas de decoração, armazéns e o Instituto de Ortopedia da Barra.



O CRUZAMENTO da Avenida Olegário Maciel com a Avenida Comandante Júlio de Moura: calçadas bem preservadas, em pedras portuguesas; na via, paralelípedo, em vez do asfalto.


No entanto, a Olegário Maciel é uma daquelas ruas que chegam a dar raiva pelo seu eficaz planejamento – assim como o é a Barra da Tijuca em um todo, diferenciando-se da parte velha do Rio de Janeiro que teve sua evolução (e reprodução) de forma bastante desordenada. Enfim, em uma área estritamente residencial, esta avenida é exclusivamente comercial. O.k., “exclusivamente” é exagero meu, existem, sim, alguns poucos prédios ali, esparsos, mas são tão pouco luxuosos que distoam dos esplendorosos prédios da região.


O LA PASTA GIALLA é um restaurante do chef Sergio Arno e possui diversas filiais pelas principais cidades do país. Com visual sofisticado, o estabelecimento é uma mistura de bruscchetteria e cantina. Na Olegário Maciel, ele fica bem na esquina com a Av. Comandante Júlio de Moura.


O comércio é variado; todavia, é o pólo gastronômico que dá gás à Olegário Maciel. Considerada popularmente como a “Dias Ferreira” da Zona Oeste (em alusão à rua famosa do Leblon, na Zona Sul, lotada de restaurantes da moda), a Olegário Maciel abriga um grande número de bares, restaurantes e mercadinhos. Opções de comida à todos os gostos e preços. No início da avenida, na esquina com a Avenida do Pepê – a que margeia a praia da Barra –, está o Na Brasa Colúmbia, galeteria tijucana recém-inaugurada no local com mesas e cadeiras ao ar livre. Mais adiante, adentrando a Olegário, mais restaurantes de renome: a pizzaria Capricciosa, a Kobe – que oferece culinária japonesa –, e o La Pasta Gialla, do chef Sergio Arno, bem na esquina da Olegário com a Avenida Comandante Júlio de Moura.


DO SOFISTICADO ao básico: a Olegário Maciel tem desde um escritório de arte, como o TNT, à farmácias e locadoras de DVD, como a Blockbuster integrada à Americanas Express.


A frequência da Olegário Maciel é diversificada de acordo com o horário e esta distinção fica mais clara ao final do dia. Por volta das quatro, cinco da tarde, existe um vai-e-vem de pessoas, recém-saídas do serviço, em direção aos pontos de ônibus da Avenida Ministro Ivan Lins, no fim da Olegário. À noite, a predominância de jovens domina a avenida devido ao seu comércio, claro, juvenil, como a boate S.O.H.O Lounge (à direita), o mexicano Taco Tequila e a temakeria Jay House. E mais: ali há também a filial do Big Polis, casa de sucos tradicionalíssima no Leblon, bastante frequentada pelo público jovem.


CALÇADAS AMPLAS e muitos bares: copo cheio para as noitadas.



O EDIFÍCIO comercial Barra Center, na esquina com a Avenida General Guedes da Fontoura. No térreo, comércio variado, incluindo o irresistível Subway.


Muito além de comida, a Olegário Maciel concentra, também, outro perfil: lojinhas em formato off-shopping, farmácias, óticas, loterias, agências bancárias e outros tipos de comércio básico, como, por exemplo, a filial do supermercado Sendas – bem no final da avenida, quase na Praça Euvaldo Lodi – e o Barra Carnes Mix (à direita), uma espécie de padaria e açougue bacaninha. E edifícios comerciais, claro. Entre eles, o TNT Escritório de Arte, no número 162 e o Barra Center, no 260.


A DOC GARRAFARIA, estabelecimento nos moldes dos neobotequins que brotaram aqui no Rio, de uns tempos pra cá; e a chegada ao cruzamento com a Avenida Gilberto Amado, tendo ao fundo a casa de sucos Big Polis.



MAIS DO CRUZAMENTO: semáforo ativo, trânsito intenso - a Avenida Gilberto Amado, de duas pistas, serve de sentido para os carros que se direcionam ao Alto da Boa Vista e à Estrada do Joá. Já no território das calçadas, o Bom Galeto - famosa galeteria do Méier - abriu suas portas recentemente em um imóvel bonito e amplo, bem na esquina. Tentação, hein!


Em síntese: a Olegário Maciel é uma dessas ruas em que pouco tem pra se admirar, mas em compensação, muito para se consumir. Perderia horas falando sobre cada estabelecimentozinho ao longo da via – um mais interessante e gostoso do que o outro –, portanto, para não cansar você, caro leitor, me encarregarei de que as fotos se auto-expliquem e... bom apetite!, caso tais restaurantes fotografados tenham-lhe atiçado o estômago.



LOJA DE motos, casa de festas, a Contours, aquela academia para mulheres... Não disse que a Olegário Maciel é bem diversificada?



A LINHA 179 (Alvorada x Central) passa pela Avenida Olegário Maciel, assim como muitos apostadores, também: já fez sua fezinha hoje?



A PARTIR da Avenida João Carlos Machado, a Olegário Maciel perde um pouco da sua concentração de bares e restaurantes dando espaço definitivo a um tipo de comércio pequeno e local, como farmácias, óticas e galpões com feirinhas.



OFF-SHOPPINGS, com jardins e calçadas muito bem conservadas, e a filial das Sendas, que você encontra, praticamente, em todos os cantos da cidade.



FINALMENTE o final: a Avenida Olegário Maciel termina no encontro com a Praça Euvaldo Lodi, onde ali se situa a Paróquia São Francisco de Paula. Na foto à direita, mais uma vez, a vista para a Pedra Bonita e a passarela da Avenida Ministro Ivan Lins.


Post-scriptum: Outros pontos da Barra da Tijuca são bem mais interessantes, bonitos e diferentes; portanto, você que é de fora do Rio e que sempre ouviu falar sobre a beleza da Barra, aguarde! – em breve trarei fotos deste paraíso estado-unidense carioca.

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24.9.09

"Passeio carioca", por J. Carino

Entre o mar e a montanha

minh´alma de poeta fica por um fio:

Rio.

Vida agitada, confusão maluca:

Tijuca.

Odeio o trabalho, quero praia e não agüento:

Centro.

Eis a brisa do mar e a garota que é poema:

Ipanema.

Suburbano sou, orgulhoso, confesso:

Bonsucesso.

Formado em samba, eis o meu anel:

Vila Isabel.

Protegei-me, Santa Virgem, tenha pena, tenha:

Penha.

Muitas vezes me sinto sem eira nem beira:

Madureira.

Ai, Dona Tristeza, suma, vá pra lá:

Jacarepaguá.

Tiro, assalto, fugas – um Armagedon:

Leblon.

Não obstante, luto, sonho, tenho garra:

Barra.

Saudade do que fiz e do que fazer não pude:

Saúde.

Ah, cidade que eu amo e que não me engana:

Copacabana.

Minha cidade, quem te tem não troca:

sou e serei para sempre

carioca.


J. CARINO é professor universitário aposentado, consultor e escritor, sendo autor de “Olhando a Cidade & Outros Olhares” (UniverCidade Editora, 2004), livro de crônicas sobre os bairros do Rio de Janeiro, com apresentação de Ruy Castro.

19.9.09

Em Copacabana, a calmaria está na esquina com a muvuca


COPACABANA: Na foto, a Avenida Atlântica, nas imediações da Rua República do Peru, na Zona Sul da cidade.


Qual seria a imagem que passaria imediatamente pela sua cabeça ao te proporem o seguinte pedido: “Descreva Copacabana”? Para quem é de fora, Copacabana é sinônimo de luxo, herdado pelo seu passado glorioso e o calçadão maravilhoso. Sem falar no reconhecimento internacional. E para os cariocas, aqueles já bem entrosados com toda a dinâmica da cidade e suas peculiariades? Provavelmente responderiam: “Ah, Copacabana é muvuca, muito barulho, trânsito, muita gente, selva de pedra...". É basicamente isso o que escuto de amigos e de outras pessoas Rio adentro. E, realmente, Copacabana, com exceção da sua praia lindíssima, é tudo isso mesmo: ícone da diversidade, seja social ou espacial. Porém, poucos sabem que, em recantos praticamente escondidos, mas, ao mesmo tempo, inseridos no mar de confusão típica desta área da Zona Sul, Copacabana esconde sua faceta bucólica e bastaaaaaaante sossegada. Quer um exemplo do que falo? Acompanhe-me, então.

Localizada entre o posto 2 e 3 da praia, a Rua República do Peru pode ser um dos diversos exemplos de ruas movimentadas no bairro de Copacabana – vulgo “Copa”. O.k., é uma rua predominantemente residencial, arborizada, lotada de edifícios... entretanto, devido a sua proximidade com os principais eixos viários do bairro, a República do Peru absorve muito do ruído das buzinas e freadas dos ônibus e carros que circulam 24 horas por dia pelas ruas Barata Ribeiro e Tonelero e das avenidas Atlântica e Nossa Senhora de Copacabana – os tais corredores de trânsito intenso cortados pela rua. Consulte o mapa acima, para maiores detalhes!


REPÚBLICA DO PERU: O início da rua é marcado pela filial do bar e botequim Manoel e Juaquim e a Escola Municipal Cícero Pena, ao fundo.


PARTICULARIDADES: As pedras portuguesas e os edifícios antigos são o ícone do bairro de Copacabana.


Como diria meu irmão, Copacabana tem cheiro, e quem tiver essa mesma sensibilidade de percepção, sabe do que estou falando. Este oceano de edifícios antigos que compõem as suas ruas – dispostas em um quase-perfeito tabuleiro de xadrez – exalam um odor muito particular, principalmente quando os portões das garagens e dos elevadores se abrem. É um cheiro antigo, que lembra, obviamente, o que é velho, mas não de forma degradada. Remete-nos a um passado que, talvez, nem eu, nem você, tenhamos vivido, porém, fica fresco na memória através do nosso conhecimento de mundo e, principalmente, de história. Sem falar também que Copa tem todo um ícone de bairro da terceira idade, que reforça ainda mais o que estou falando. Curiosíssimo; e a República do Peru é basicamente do jeito que estou descrevendo.


REPÚBLICA x NOSSA SENHORA: O cruzamento com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana indica, de forma clara, o quão movimentada é a região; muito comércio e trânsito intenso. Se você achar que é exagero meu, o.k., as fotos foram tiradas em um domingo! Por isso que está aparentemente calmo.


Com muitas sombras e pouco sol – graças às arvores! Benditas! –, um tímido e variado comércio se espalha ao longo República do Peru, mais especificamente nas esquinas, contribuindo para o tal vai-e-vem de pessoas. Logo no seu início, na esquina com a Avenida Atlântica, está a filial do prestigiado Manoel e Juaquim (aquele, do Engenho de Dentro). Mais adiante, no cruzamento com a Nossa Senhora, outro bar, também bastante badalado: o Informal (já este, oriundo do Leblon). Lojas de roupas e acessórios esportivos, como a Saint Gall e a Charif’s Esportes, casa de sucos – a Fruti Vita e o Big Bi –, a Casa do Pão de Queijo, pé-sujos, farmácia, hotéis, bancas de jornal e uma loja de materiais elétricos e hidráulicos, compõem o comércio da Rua República do Peru. Sem falar também nas duas escolas públicas situadas neste logradouro: o colégio estadual Pedro Álvares Cabral e, na esquina com a Atlântica, o municipal Doutor Cícero Pena.


MAIS DO CRUZAMENTO: À esquerda, a casa de sucos Fruti Vita e alguns dos ônibus que circulam pela Av. Copacabana; à direita, o botequim Informal, com a loja de materiais hidráulicos e elétricos, ao fundo.


CONSTRUÇÕES: Mais edifícios residenciais na Rua República do Peru. Na última foto, o Hotel Apa ao fundo, na esquina com a Rua Barata Ribeiro.


SEGUINDO ADIANTE: A esquina com a Barata Ribeiro e o caminho em direção ao Morro de São João, no final da via.


Seguindo a República do Peru toda, em direção ao Morro de São João, já nas imediações da Rua Tonelero pode-se começar a sentir uma atmosfera mais leve e calma. Embora seja uma rua com trânsito considerável, a Tonelero resguarda uma pacificidade, que passará a dominar toda essa área, ao sopé do morro. Entre árvores e, agora, com mais jardins, a República do Peru termina com prédios mais sofisticados, um pinheiro e a visão dos outros prédios, com guaritas, colados à encosta do São João. É, definitivamente, outro clima. As buzinas ecoam de forma remota, livrando-nos o incômodo aos ouvidos e presenteando-nos com o canto dos pássaros que por ali passeiam. E logo no final, existe uma esquina: a da calmaria – a Rua Conrado Niemeyer, pouco conhecida pelos cariocas e muito disputadíssima no mercado imobiliário de Copa.


O FINAL DA REPÚBLICA DO PERU: A atmosfera do local é modificado devido à proximidade com o Morro de São João. Os edifícios passam a ser mais bem-cuidados e ajardinados.


Casas, cheiro de terra molhada (o dia estava chuvoso), escadinhas, ladeirinhas...: a Conrado Niemeyer faz-nos acreditar seriamente que poderíamos estar, sei lá, na Gávea, no Jardim Botânico ou então numa das ruelas do Alto da Boa Vista; mas não, ali é Copacabana (fotos ao lado). Os edifícios antigos permanecem no cenário, mas na Conrado Niemeyer eles são mais incrementados por flores e plantas e com uma nítida manutenção anti-sujeira, coisa que os outros da parte “muvuca” da República do Peru não possuem. Além disso, preservam o mesmo charme que lhes presenteou sua construção, seja a época que for. A rua também é toda coberta por jardins, canteiros, vasos e sombra, muita sombra. Copacabana, independente do local, é arborizada. E isso é um ponto bastante positivo no bairro.


CONRADO NIEMEYER: Bucolismo no coração de Copacabana.


EDIFÍCIOS: Alguns amplos e coloridos, outros mais antigos e um novíssimo lançamento, que distoa de todos da rua com sua portaria espelhada.


A Rua Conrado Niemeyer termina rápido, no encontro com a Rua Marechal Mascarenhas de Morais, também outra ruazinha muito simpática, calma e nobre, que, inclusive, mantém uma cancela com guarita, no trecho em que fica bem colada ao Morro de São João, impedindo a entrada de estranhos. Reflexo da insegurança. Prevenção contra a bagunça. É ou não é a esquina da calmaria com a muvuca?


O FINAL: A Rua Conrado Niemeyer termina no encontro com a Rua Marechal Mascarenhas de Morais, caracterizado por jardins, como o da foto, e uma cancela que impede a entrada de estranhos.


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